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Lama de Mariana: Como o jornalismo é engolido nas grandes tragédias

Enviado por: ialmeida
em Qua, 11/11/2015 - 20:25

Uma reportagem de leonardo Sakamoto a ser lida e reproduzida.

PB

Lama de Mariana: Como o jornalismo é engolido nas grandes tragédias

Leonardo Sakamoto

11/11/2015 09:02
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Dez breves considerações para uma autocrítica necessária sobre a cobertura do rompimento das barragens de rejeitos de mineração, em Mariana (MG), ocorrido na última quinta (5):

1) Onde você escreve apenas “Samarco'', como responsável pela catástrofe da barragem de Mariana, acrescente “Vale'' e “BHP''. Diga ao seu chefe para esquecer que a Vale é grande anunciante do seu veículo pelo menos desta vez.

2) Essa foi uma das maiores catástrofes ambientais do país e vai alterar a vida de milhões de pessoas e animais. Trate isso como tal e não como curiosidade mórbida. Seja decente: sensacionalismo só é bom para a sua audiência.

3) Acidente, Papai Noel e Coelho da Páscoa… Investigações estão em curso, mas o uso irresponsável da palavra “acidente'' faz crer que tudo isso seria inevitável, concedendo ao acaso uma culpa que pode ser de empresas e governos, ao destino um poder que ele não tem e dando vida a essa figura mitológica – o acidente – endeusada em falhas corporativas.

4) Se todo pequeno tremor de terra derrubasse barragem, não sobrava uma hidrelétrica de pé no Brasil, como me disse ontem um velho engenheiro barrageiro. O que é derrubado com pequeno tremor de terra é pudor de usar a justificativa do terremoto em uma matéria e não ouvir especialistas a respeito.

5) Publicar release da empresa sobre o ocorrido em formato de notícia sem checar uma informação é passaporte para o inferno sem escalas.

6) Reportagens sobre a tragédia humana são importantes para que o país tenha a dimensão do caos que se estabeleceu. Mas o estrago trazido ao não tratar das responsabilidades dos atores econômicos e políticos nunca será compensado pela cobertura “humanizada'' que você teve orgulho de fazer.

Resgate de cadela após quatro dias do rompimento da barragem (Foto: Douglas Magno/AFP)

Resgate de cadela após quatro dias do rompimento da barragem (Foto: Douglas Magno/AFP)

7) Importante a solidariedade de pessoas que seguem para ajudar e mandam doações. Do ponto de vista da empatia social, não da necessidade material. Porque deveria ser a Vale a estar pagando agora até pelo banho e tosa do cachorro atingido pela massa de dejetos e não a sociedade brasileira. E links de TVs deveriam estar em vigília na sede da empresa questionando isso ao invés de mostrar apenas galpões repletos com sacolas de doações.

8) O governo mineiro tratar a empresa ora como “vítima'' ora como “responsável'' mostra que a Síndrome de Estocolmo, quando um agredido passa a ter simpatia pelo agressor, atinge sempre a administração pública de forma patética. A imprensa que faz um papel central na cobrança das investigações de corrupção, estranhamente perde o mesmo ímpeto nesta situação. Lembrando que empresas financiaram partidos em eleições.

9) Se o governo federal existisse e fosse autônomo, Dilma teria pego um avião imediatamente para sobrevoar o local, colocaria a Vale contra a parede e aproveitaria a comoção pública para reabrir a discussão sobre a regulamentação da mineração no Brasil,  com efetiva participação das comunidades atingidas e foco na responsabilidade empresarial e no direito ao território e à dignidade humana. O jornalista que acha que Brasília não tem responsabilidade neste caso precisa de um curso rápido sobre as competências da União.

10) Pouco depois do mar de lama chegar à praia, o assunto será substituído por outro. Mas a tragédia acontecerá de novo em Minas Gerais, como tem acontecido periodicamente. O cronômetro já foi posto em contagem regressiva. Com a anuência não só do Estado, que peca pela falta de fiscalização e punição, mas também de parte da imprensa, que segue mais competente em monitorar o poder político do que os atores econômicos.

 

ialmeida

Qui, 12/11/2015 - 17:11

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Mariana: a cronologia de um alerta engavetado

A tragédia de Mariana talvez tenha começado em outubro de 2013. Sim, a barragem do Fundão se rompeu, destruindo o distrito de Bento Rodrigues, na quinta-feira passada, 5/11,   mas a história pode ter sido iniciada bem antes, quando foi produzido um laudo durante o processo de renovação da licença de operação da barragem, da empresa Samarco.  Confira a cronologia dos fatos daquela primavera, dois anos atrás, e quantidade de órgãos e siglas envolvidos no licenciamento.

http://projetocolabora.com.br/economia-verde/mariana-a-cronologia-de-um-alerta-engavetado/

Vale a pena ler e divulgar.

PB

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ialmeida

Ter, 10/05/2016 - 09:07

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Saiu relatório de análise do Ministério do Trabalho e Emprego

oi pessoal. Segue link para acesso ao relatório do desastre provocado pela Vale/Samarco em Mariana, MG.

http://ftp.medicina.ufmg.br/osat/relatorios/2016/SAMARCOMINERACAORELATORIOROMPIMENTOBARRAGEM20160502_09_05_2016.pdf

Ildeberto

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