Acidentes com queda em altura.
Boletim compara situações de trabalho em escadas com a de trabalho em andaimes.
Vale a pena destacar que a comparação não explora aspectos organizacionais e nem de escolhas gerenciais que tendem a desempenhar papéis de condicionantes e determinantes das escolhas adotadas nas empresas quando da seleção dos meios e estratégias a serem adotados no trabalho.
Junto com o Boletim recebemos video que mostrava situação de queda fatal com uso de escada. Numa situação de risco evidente uma escada em V era usada como posto de trabalho para a troca de uma lâmpada.
A mensagem de encaminhamento acrescentava comentário:
"Observe que o trabalhador acidentado está acima de dois metros e não segue a NR-35 nos quesitos EPI, EPC, linha de vida.
E tem muita empresa e até mesmo funcionários que não levam a sério e muita das vezes eles próprios falam que: é rapidinho, é uma lâmpada, é três segundos..."
Nesse tipo de situação é importante acrescentar:
A análise também deveria explorar o que o video não não mostra.
Como foram os processos de tomada de decisões que culminaram com o uso da escada nesse tipo de atividade? Existiam na empresa recursos tipo plataformas elevatórais que permitissem a realização da atividade em segurança?
Seguindo a linha puxada no comentário acima sobre a falta de barreiras determinadas em lei, cabia explorar as razões que expliquem a falta dessas barreiras. Qual o papel e ou participação da equipe de segurança nas decisões afins? Quem e como decide e organiza a realização desse tipo de atividades com esse tipo de recursos?
Da mesma maneira explorar a atividade em si? Era apenas uma troca de lâmpada rotineira ou inesperada? quais suas origens? enfim a prevenção poderia ir mais longe e explorar a dimensão organizacional desse tipo de evento.
Vale ainda uma especulação. O trabalhador poderia exercer seu direito de recusa ao trabalho nesse tipo de situação? A resposta obviamente deveria explorar a história do sistema. Há registro nessa história de exercício do direito de recusa em situações assemelhadas? Caso sim, o que aconteceu com o trabalhador? Vale registrar que se a história mostrar exemplos de práticas decisórias, de escolhas gerenciais autoritárias e de negação de direitos como o de recusa a tendência é de comportamentos de submissão mesmo que o sistema seja dotado de "regras alibi" que afirmem o reconhecimento do direito.
PB
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Acidentes em situações de queda em altura. É preciso considerar
Parabéns prof PB. Excelente análise crítica sobre o infográfico e o texto que encaminhou o vídeo.
Precisamaos muito aprender e desenvolver essa habilidade de refletir e questionar o que nos é passado como "senso comum". A formulação de boas perguntas e ir em busca de suas respostas e das origens das fatos ajudariam a SST a dar uma passo importante na prevenção de acidentes.
Repassei para alguns os colegas da Fundacentro.
abçs
Eugênio Hatem Diniz
Fundacentro-MG
Quedas em altura. Risco subestimado
Deixei de destacar antes que o Boletim traz importante contribuição ao chamar a atenção para um tipo de situação que está presença na lista das principais causas de mortes por AT no país. Ajuda a trazer para a agenda da segurança o tema da prevenção nesse tipo de situação.