Pessoal
Segue link de reportagem do Boechat, no Café com Jornal da Band, sobre o policial que se matou com transmissão ao vivo no Facebbok
http://noticias.band.uol.com.br/cafecomjornal/videos/ultimos-videos/16126470/boechat-suicidio-de-pm-vai-direto-pra-conta-de-cabral.html
A notícia destaca que a vítima tinha antecedentes de depressão. Também informa que era alguém com 28 anos de idade, separado com ua filha. Destaca também trechos de carta que focaliza dificuldades vivenciadas após meses de atraso de salários, acúmulo de contas não pagas [...]
Parece um caso emblemático no que se refere às origens multicausais e em que não cabem explicações lineares de causalidade direta atribuída a aspectos ou fatores isolados. O caldo de cultura em que se desenrola a história assemelha-se mais a uma rede que inclui retroações positivas e negativas numa dinâmica que evolui para fora da zona de equilíbrio. Afinal, que papel atribuir ao trabalho nesse tipo de situação? E que peso aos demais fatores? existiriam ainda fatores não citados na notícia contribuindo de alguma maneira? Como?
A carta deixada pelo policial sugere que a sua situação no trabalho deva ser pensada como a de possível gatilho do desfecho que o caso acabou tendo. Algo mais?
Por isso mesmo, considero importante que aqueles que tiverem acesso a mais informações e opiniões sobre esse caso as compartilhem para que possamos tentar uma discussão que nos ajude a aprender e a tirar lições. Afinal, como estão os demais colegas dessa vítima? Como o seu gesto foi recebido na corporação? Há equipe de saúde mental agindo nesse momento junto ao coletivo de origem? Quais as melhores estratégias de prevenção a serem adotadas nesse tipo de situação?
No pior dos cenários, o que aconteceu é individualizado e naturalizado. Será que podemos influenciar de modo a não seja este o desfecho?
Ildeberto ("Paraíba")
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Janeiro chega ao último dia com alta de 80% no número de PMs mor
noticia relacionada. Deu em O Globo
"Janeiro chega ao último dia com alta de 80% no número de PMs mortos no RJ
Ao todo, 18 policiais militares do Rio de Janeiro morreram. Mortes e crise financeira aumentam pressão na tropa: só em 2016 foram 1.398 pedidos de licença por problemas psicológicos."
PB (Ildeberto)
Vejam link http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/janeiro-chega-ao-ultimo-dia-com-alta-de-80-no-numero-de-pms-mortos-no-rj.ghtml
e reportagem
Por Nicolás Satriano, G1 Rio
31/01/2017
Agente chora durante enterro do sargento Artur Fernando Riberio Moura, morto no dia 27 em Copacabana (Foto: Reprodução/TV Globo) Agente chora durante enterro do sargento Artur Fernando Riberio Moura, morto no dia 27 em Copacabana (Foto: Reprodução/TV Globo)
Chega ao fim o mês de janeiro e, até a noite desta segunda-feira (30), 18 policiais militares do Rio de Janeiro morreram; outros 42 foram feridos. Dos mortos, quatro estavam em serviço, 12 de folga e outros dois eram PMs aposentados. Isso corresponde a um aumento de 80% nos casos comparado com o mesmo mês de 2016, quando dez PMs foram mortos - um estava de serviço e nove de folga.São dados que demonstram como o recrudescimento da violência no estado atinge diretamente a corporação. Os altos índices de letalidade e a calamidade financeira do estado são apontados como fatores que têm contribuído para corroer o psicológico de PMs, que cada vez mais têm procurado atendimento especializado para solucionar questões associadas à sanidade mental.
"Uma coisa que a gente ouve muito é que com esse atraso de inativos e de pensionistas, o policial não pode morrer. Por que o que será da família dele se, além de perder o pai, vai ficar sem salário? E aí, a gente percebe que essas mortes vulnerabilizam muito o policial", diz o chefe do Núcleo Central de Atendimento Psicológico da PM, tenente-coronel Fernando Derenusson.
O oficial ressalta que, só em 2016, o núcleo concedeu 1.398 pedidos de licença a militares que declararam estar impossibilitados de trabalhar por problemas psicológicos ou psiquátricos. Um número que, segundo o chefe do setor, significa atualmente aproximadamente 4% do efetivo da corporação, que hoje conta com 47 mil homens.
Como chefe da seção, Derenusson acompanha de perto o que a derrocada do Estado tem causado à categoria. Grande parte tem sofrido de distúrbios e reclamado da falta de salários e cargas horárias incompatíveis. Só no último ano, a ampla maioria dos atendimentos (46%) foi feita a policiais da ativa - aqueles que estão envolvidos diretamente no policiamento ostensivo.
Defasagem de profissionais
A quantidade de atendimentos é expressiva - 20 mil policiais foram atendidos em 2016 -, mas pequena diante do universo de quase 300 mil pessoas que o setor psicológico da corporação poderia atender. O tenente-coronel considera insuficiente o número de profissionais disponíveis para suprir a demanda.
"A procura, tanto pela psicologia quanto pela psiquiatria, está refletindo o aumento da pressão que a Polícia Militar vem sofrendo. Existe uma crise, aumenta a violência na sociedade. Aumenta a violência, aumenta a exposição do policial a estresse pós-traumático, ao trauma, ao risco. Então, aumentou, sim, a procura por atendimento por causa dessa crise", diz o oficial.
Somados os fatores crise financeira e aumento da violência, o oficial ressaltou que o policial tende a ficar mais vulnerável. Uma das questões que têm afligido a tropa, por exemplo, é a indefinição sobre o aumento da contribuição previdenciária. Esta semana o Governo do Rio deve apresentar à Assembleia Legislativa um novo pacote de medidas de austeridade e uma delas incluirá o aumento da alíquota.
Ao todo, a equipe que atende a PMs é composta por 98 psicólogos, sendo que 32 deles atendem em batalhões e outros 29 em unidades de saúde da PM - dois hospitais e quatro policlínicas. Os outros profissionais são distribuídos em unidades administrativas ou de instrução militar.
Além de psicólogos, a equipe também conta com quatro psiquiatras designados para atender a casos mais críticos nos quais o policial precisa, por vezes, ser afastado de acordo com avaliação clínica.
Derenusson conta que, em 2015, o número de psiquiatras na corporação foi cortado pela metade (antes eram oito). Hoje, ele considera que não há psiquiatras suficientes para atender aos 47 mil homens. Para sanar o problema, o oficial defende a realização de um concurso para repor os profissionais que foram cortados.
Fórum debate vitimização de PMs
É com o objetivo de analisar os números levantados pelo Núcleo de Atendimento Psicológico que a PM vai realizar nesta terça-feira (31) o Fórum de Policiais Mortos e Feridos. Um dos dados que serão apresentados a comandantes de batalhões indica que 40% dos PMs que são afastados pelo setor psiquiátrico está há cinco anos na corporação e a maioria é de Unidades de Polícia Pacificadora.
A divulgação faz parte do Programa Permanente de Capacitação Continuada da PM, iniciado no ano passado, que tem como meta reduzir a letalitade por meio de treinamentos específicos que ajudem os mlitares a tomarem decisões mais assertivas quando diante de alguma ameaça.
"São 15 dias que o projeto encampa determinada unidade, e ali, o policial já é logo recebido por uma equipe médica que faz uma bateria de exames: avalia pressão, acuidade visual, capacidade de percepção. Depois, [o PM] vai para uma bateria de análises psicológicas, para, depois, ele ser lançado numa bateria de treinamentos no Centro de Instrução Especializada de Tiro", explicou o coordenador de Comunidação Social da PM, major Ivan Blaz.
Número de PMs mortos cresce 80% (Foto: Editoria de Arte/G1) Número de PMs mortos cresce 80% (Foto: Editoria de Arte/G1)
Número de PMs mortos cresce 80% (Foto: Editoria de Arte/G1)
"Sangue de policial que se suicidou está nas mãos do PMDB ..."
Outranotícia sobre o mesmo caso
Link: http://justificando.cartacapital.com.br/2017/01/31/sangue-de-policial-que-se-suicidou-ao-vivo-esta-nas-maos-do-pmdb-que-comandou-rj/
vejam a notícia
“Quero ver quem tem disposição pra ver o bagulho ao vivo”, disse o soldado Douglas de Jesus Vieira, de 28 anos, em transmissão ao vivo pelo Facebook no último sábado à noite. Logo em seguida, atirou contra a própria cabeça.
Douglas era soldado da PM há seis anos. Lotado no 24º BPM de Queimados (RJ), há algum tempo vinha se queixando de problemas financeiros em virtude dos atrasos de pagamento por parte da corporação.
“Eu preciso receber, minhas contas vão vencer”, postou ele poucos dias antes.
O Rio de Janeiro de Sergio Cabral, Pezão e demais correligionários do cancerígeno PMDB entrou em colapso e suas finanças são um filme de horror. Diversos serviços públicos estão sendo afetados. Hospitais fechados, escolas fechadas, a Fundação de Amparo à Pesquisa interrompeu estudos sobre o zika vírus, aposentados passam aperto nunca antes imaginado.
Em suas relações de amizade com empreiteiros à base de helicópteros, lanchas e jóias de R$ 800 mil, Cabral concedeu isenções fiscais para empresas amigas que deixaram de recolher R$ 138 milhões (apenas em ICMS) para o governo do Rio de Janeiro.
Como não seria difícil de prever, a crise agora atinge outro ponto sensível: as polícias. O governo carioca está atrasando o pagamento de bônus dos policiais que conseguiram os melhores resultados no combate ao crime durante 2016. Há três meses os agentes também estão sem receber pelas folgas trabalhadas e o 13º veio com atraso. Qual o desfecho para isso? O soldado Douglas tinha uma filha pequena para dar de comer. Morto, não ajudará em nada, porém quem pode julgar o desespero de alguém que vê o filho com fome?
O Laboratório de Análise de Violência da UERJ entrevistou 224 PMs e nada menos que 10% declararam já ter tentado o suicídio.
“Estímulo algum para trabalhar no dia a dia. Você sai de casa na sua folga para prestar um serviço, para ter uma renda a mais no seu orçamento. Um trabalho digno dentro da legalidade, você espera receber no mês seguinte e não vem. E não vem. Não vem. Três meses e nada. A única resposta que você tem é aguardar, aguardar”, afirmou recentemente em entrevista a um telejornal um PM que não quis se identificar.
Ao que tudo indica, Douglas tinha histórico de depressão. Internado quatro vezes na ala de psiquiatria do Hospital da Polícia Militar, estava ainda em processo de divórcio de sua esposa e com a carga horária de trabalho sobrecarregada. Por conta das dificuldades e atrasos em receber da PM, vinha fazendo bicos de segurança. A própria ex-esposa fez uma análise certeira:
“Ele tinha histórico de depressão, mas a gota d’água foi o atraso nos salários. (Ele) era muito certinho com as contas. Nos últimos meses, muitas vezes me ligava desesperado. Dizia que estava endividado e não sabia como iria pagar o aluguel”, falou Rayane Cristina dos Santos, com quem Douglas estava ainda casado no papel.
O vídeo original não está mais disponível na página do policial, mas a realidade do Rio de Janeiro está escancarada para quem quiser ver.
Mauro Donato é Jornalista, escritor e fotógrafo nascido em São Paulo.
Laboratório de análise da violência (UERJ)
o trabalho do Laboratório de Análise da Violência (http://www.lav.uerj.br/ ) da UERJ, é uma referência para os interessados em aprofundamento desse tema.
Vale a pena conferir
PB