No embalo do desastre disparado com a ruptura da barragem de rejeitos da empresa Samarco, no distrito de Fundão, em Mariana, MG, o Laboratório de Ergonomia da Escola de Engenharia da UFMG promove discussão apetitosa. Estamos solicitando que os organizadores gravem e disponibilizem a apresentação e tentando obter trabalho de "correspondentes " do Fórum AT que nos permita divulgar o conteúdo do evento e repercutí-lo.
Aqueles que nos acompanham sabem que a questão da responsabilidade levantada no título é da maior importância e que a investigação em profundidade não deve ser compreendida como uma forma de mudar o endereço do culpado pelo evento. De todo modo o desafio está posto até porque os acidentes, os desastres e similares são fenômenos multifacetados. Eventos que trazem em si, como construções sociais, dimensões:
1) dramática (de vivências das vítimas e afetados),
2) sócio técnica histórica (decisões políticas e gerenciais relativas à criaçao de perigos e riscos, da sua [não] regulação e de convivência com esses perigos de modo a ensejar danos e benefícios) e, também
3) jurídica que pode ser abordada seja com o enfoque da responsabilidade objetiva ou subjetiva e ainda com diferentes recortes como os da retribuição e ou da restauração como discutido por Dekker, em seu livro Segunda vítima.
PB
O título da palestra é
Acidentes organizacionais e responsabilidade dos gestores.
Os engenheiros podem ser responsabilizados pelos acidentes tecnológicos?
Convidado: François Hubault – Economista e ergonomista
(Paris I- Sorbonne)
Dia 26 de agosto de 2016, 13h30 a 17h30
Escola de Engenharia da UFMG
Sala de seminários 1014
Nos estudos sobre o trabalho predominam análises de atividades operacionais, sendo ainda relativamente raras
pesquisas sobre atividades “intelectuais”, como o trabalho de engenheiros e gerentes. Assim, ainda conhecemos
pouco sobre a atividade de engenheiros e gerentes. Quando se trata de analisar acidentes, esse desequilíbrio leva
a interromper a análise nos erros dos trabalhadores da linha de frente, desconsiderando decisões dos níveis
hierárquicos superiores. Mais recentemente, com a noção de “acidente organizacional” a responsabilidade pelos
acidentes tem sido ampliada aos engenheiros e gerentes que projetam ou gerem sistemas de produção. Mas até
que ponto estamos aumentando a compreensão dos acidentes e nossa capacidade de prevenção com essa
generalização da culpa? “Erro” e “culpa” são categorias pertinentes para analisar e compreender por que
acidentes acontecem?
Os seminários organizados pelo Laboratório de Ergonomia da Escola de Engenharia da UFMG procura promover o
intercâmbio entre professores, pesquisadores, alunos em fase de preparação de dissertação, alunos iniciantes e
profissionais interessados em ergonomia, saúde e segurança no trabalho e sobre o trabalho em geral.
Neste seminário receberemos François Hubault, economista e ergonomista, coordenador da formação de
ergonomia da universidade Paris I – Sorbonne. Ele é um dos poucos ergonomistas que tem se dedicado a analisar
atividades de gestores e fazer intervenções de natureza organizacional
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