A PEC 12 não representa um avanço para quem vive do trabalho. Seu sentido é ampliar o poder das empresas sobre a organização da força de trabalho, permitindo maior flexibilidade para contratar, dispensar e utilizar trabalhadores conforme as necessidades do mercado, reduzindo custos às custas da perda de direitos, da disponibilidade permanente e da compressão dos salários.
O discurso de que a redução da jornada sem redução salarial ou a adoção da escala 5×2 provocariam queda do PIB, aumento da informalidade ou desemprego funciona como justificativa para preservar um modelo que prioriza a rentabilidade do capital.
O que está em disputa não é apenas a jornada de trabalho, mas quem se apropria dos ganhos de produtividade. A resistência de parte do Congresso revela a defesa de um sistema em que a ampliação dos lucros continua sendo prioridade, mesmo quando isso aprofunda a precarização das condições de trabalho e de vida da classe trabalhadora.
Fonte: https://diplomatique.org.br/nao-e-uma-questao-de-argumentos-mas-de-correlacao-de-forcas-desiguais/
- Efetue login ou registre-se para postar comentários




