Enfermeiros robôs, Inteligência Artificial e os interesses das maiorias
A ONU deve apresentar em breve robôs para cumprir funções de cuidado à Saúde. Em entrevista, o pesquisador William Waissmann reflete sobre os descaminhos das inovações tecnológicas, que hoje servem basicamente à acumulação de capital
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Na última semana, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou a apresentação de oito robôs humanoides em uma cúpula global sobre Inteligência Artificial (IA) marcada para julho em Genebra, na Suíça. Entre as tarefas executadas pelos robôs estaria a de cuidados à saúde, como possíveis enfermeiros. Em comunicado, Doreen Bogdan-Martin, nova secretária-geral da União Internacional de Telecomunicações (ITU/ONU), disse ser do interesse coletivo “moldar a inteligência artificial mais rapidamente do que ela nos molda”. Apesar do objetivo da cúpula ser mostrar como a inteligência artificial pode auxiliar na luta contra a crise climática e o apoio à ação humanitária, ainda restam algumas importantes questões em aberto, como se haverá um financiamento público para as tecnologias e se robôs que cumpram as funções de humanos sejam, de fato, necessários nesse caso. Ativistas em prol do meio-ambiente, por exemplo, têm se manifestado continuamente para que países e empresas responsáveis pela emissão de poluentes tomem ações imediatas para conter o avanço da crise. No caso da Saúde, sanitaristas têm reforçado a necessidade de investimento na Atenção Básica, com a qualificação de profissionais junto com novas possibilidades de carreira dentro do sistema público. Em entrevista para o Outra Saúde, William Waissmann, médico e pesquisador sênior da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), especializado em impactos de nanomateriais, nanomedicina e nanotoxicologia afirmou que a IA é “fruto do que ocorre no mundo e responde a isso”, e questiona: o que é realmente necessário para as grandes maiorias? |
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