PRIMEIRA GUERRA E A SAÚDE
Ontem, o armistício da Primeira Guerra Mundial completou cem anos. Mas o conflito, que transformou a Europa num campo cheio de trincheiras, teve outros rebatimentos para a saúde além dos mortos e feridos nos combates.
O NHS inglês recomendou a leitura de uma reportagem de 2014, da BBC, que mostra que o trabalho das enfermeiras era exaustivo e perigoso. “As voluntárias experimentaram o horror em primeira mão, muitas vezes pagam um preço fatal”, diz o texto. E um detalhe: de início, o exército britânico se opunha ao serviço dessas mulheres militares, de modo que elas foram obrigadas a servir atendendo outras forças, como a francesa e a belga.
Já na semana passada, a mesma BBC publicou outra matéria, lembrando que ao final da Guerra, dezenas de milhares de soldados sofreram os efeitos do estresse pós-traumático. E um médico, Edwin Goodall, em um hospital, o Whitchurch, mudou a forma como esses homens eram tratados. Por exemplo: se um soldado voltasse do conflito sem falar, se aplicava choques elétricos no seu maxilar... E se o soldado gritasse de dor, se considerava que ele não era mais mudo. Goodwall introduziu abordagens terapêuticas, como massagens para aliviar a tensão dos pacientes e prevenir a atrofia dos músculos. Depois de ser “tratado” para o estresse pós-traumático, o poeta Wilfred Owen – que virou mártir – foi enviado para o campo de batalha, e morreu uma semana antes do fim da Guerra.
E o diretor da OMS, Tedros Ghebreyesus, lembrou que a Primeira Guerra criou as condições perfeitas para a pandemia de gripe espanhola – que matou mais gente do que a guerra em si. “A paz é pré-requisito para a saúde”, escreveu ele no Twitter.
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