Deu no Outra Saúde
São três notícias que merecem atenção por suas relações com temas que nos são muito caros e que constantemente são maltratados.
A primeira notícia merece destaque por suas históricas relações e semelhanças com o que costuma acontecer em estudos no campo da saúde, trabalho e meio ambiente. Aqui mesmo no Brasil houve caso famoso envolvendo o lobby do amianto.
Na história da medicina são muitos casos e em todos eles marcas como essas da interferência indevida de diretamente interessados nos resultados no desenho do estudo e ou controle da divulgação de seus resultados, etc. è preciso estar atento. Uma das roupas já não tão novas dos portadores desses interesses é a exigência por parte de empresas de que os pesquisadores assinem TERMOS DE CONFIDENCIALIDADE que possam ser usados pela empresa contra a publicização de resultados de interesse público. O que se inicia como pesquisa é, for por força de ameaças contra os pesquisadores, travestido de "consultoria" sob o controle da empresa.
A segunda notícia é para destacar suas relações com os preconceitos. vale lembrar que aqui em São Paulo, na capital do estado, poucos anos atrás um vereador propõs projeto de lei criando prazo de carência para que migrantes nordestinos pudessem ter acesso a serviços públicos de saúde e, se não me engano, também de educação. Algo inconstitucional que visava a formalizar no plano legal no país dois tipos de cidadãos. Os de primeira, reconhecidos como portadores "naturais" de direitos e os outros.
A terceira noticia trata do financiamento de serviços de saúde. Um dado para reflexão em tempos de ameaças crescentes ao SUS por parte dos vampiros interessados na mercantilização da saúde. Olha só o que os "comunistas" do Reino Unido estão fazendo por lá. Para os interessados vale fazer busca sobre os valores per capta aplicados no sistema público de saúde lá e aqui.
Vejam as notícias
PB
01. UMA HISTÓRIA DE CONFLITO DE INTERESSES
O NIH, que reúne institutos nacionais de saúde e é vinculado ao governo dos Estados Unidos, anunciou na sexta sua decisão de cancelar o financiamento do maior estudo sobre consumo de álcool jamais realizado. É que a pesquisa estava sendo considerada suspeita mesmo antes de começar pra valer. A fundação do NIH recorreu à indústria de bebidas para financiá-la.
A ideia era acompanhar pessoas que bebem uma vez por dia com as abstinentes para descobrir se afirmações como “uma taça de vinho no jantar faz bem” são verdadeiras ou não. Pela primeira vez, isso seria feito em grande escala: a ideia era testar sete mil pessoas escolhidas aleatoriamente em quatro continentes do planeta. E com elas consumindo as bebidas de sua escolha por seis anos seguidos (estudos anteriores, bem menores, encontraram dificuldades no engajamento do público por obrigarem as pessoas a beber o que não queriam, tipo compostos alcóolicos preparados pelos cientistas). Cinco empresas, entre elas as multinacionais InBev e Heineken, toparam doar as bebidas, poupando ao estudo um custo de US$ 67 milhões. Com isso, se tornaram as maiores financiadoras da pesquisa que custava US$ 100 milhões.
Mas a participação das empresas nem sempre foi informada pelo instituto que coordena o estudo, o NIAAA, aos seus parceiros ao redor do mundo. E o pesquisador-chefe e professor de Harvard Kenneth Mukamal negou para repórteres da Wired e do New York Times ano passado que soubesse desse financiamento – mas eis que um pesquisador da África do Sul tornou pública uma troca de e-mails com Mukamal de dois anos atrás em que justifica sua recusa em participar do estudo por conta do conflito de interesses. Outras trocas de e-mail vazaram, mostrando que Mukamal chegou a discutir a metodologia da pesquisa com a InBev e a Diageo.
Por fim, um vídeo mostrou diretores do NIH fazendo propaganda para um projeto da InBev durante uma reunião da empresa. A repercussão de tudo isso foi enorme na comunidade científica. E isso fez com que o NIH abrisse a investigação que levou à decisão de cancelar o estudo. Mas a instituição vai levar muito tempo para recuperar sua imagem, dizem pesquisadores.
02. NO BRASIL...
"Explicamos que o SUS é gratuito, porque muita gente acha que precisa pagar. Também falamos onde dá para tirar os documentos, onde tem posto da Polícia Federal, escola, hospital". A explicação é de Jorge Lopez, boliviano que trabalha como agente comunitário de saúde em São Paulo. Ele foi ouvido pela BBC Brasil que conta histórias de imigrantes que trabalham no serviço público na capital paulista. E está lotado numa unidade básica de saúde do Bom Retiro onde 40% dos usuários cadastrados também são estrangeiros. O bairro é conhecido pela concentração de confecções que empregam imigrantes, principalmente bolivianos (e, não raro, são denunciadas por trabalho análogo à escravidão). “Os brasileiros visitavam as casas e as pessoas abriam só uma frestinha da porta”, conta outra entrevistada da matéria, a boliviana Jeanneth Orozco. Na mesma unidade, há ainda uma médica boliviana que conseguiu revalidar seu diploma (e a matéria aborda que esta é uma barreira importante para imigrantes vivendo por aqui).
... JÁ NA ESPANHA
O direito à saúde gratuita para imigrantes sem documentos havia sido revogado em 2012, quando o governo de centro-direita restringiu, por decreto, o acesso aos serviços, afetando cerca de 150 mil pessoas. O novo presidente Pedro Sánchez anunciou na sexta que vai rever isso. E deu um prazo de seis semanas para que o direito seja restituído.
03. MAIS DINHEIRO
O governo britânico vai aumentar em £ 20 bilhões o financiamento anual do NHS, o sistema nacional de saúde. São quase R$ 100 bilhões, na cotação da libra hoje. O plano é de médio prazo, e deve começar a valer a partir de 2023. A maior parte dos recursos virão do aumento dos impostos. E, talvez, uma parte menor venha do dinheiro que o país destina para a União Europeia (a saída do bloco está marcada para março do ano que vem). Embora um dos argumentos mais fortes da campanha pelo Brexit fosse exatamente colocar mais dinheiro no NHS (£ 350 milhões por semana), a economia britânica deve perder dinheiro sem os acordos comerciais da UE e ainda não está claro quanto. O ministro da Saúde, Jeremy Hunt, garantiu que os £ 20 bilhões virão com ou sem dinheiro do Brexit.
Enquanto isso, entidades independentes fazem as contas e uma delas alerta que o aumento pode não ser suficiente. O ideal seria aumentar a verba do sistema 4% acima da inflação todos os anos (o anúncio significa um aumento de 3,4%). Segundo pesquisa feita pela entidade, 82% dos britânicos aprovam aumento nos gastos públicos para financiar áreas sociais.
Os detalhes vão ser revelados no começo de julho, quando o NHS completa 70 anos. Por lá, o jornal The Guardian começou uma campanha: quer que os leitores enviem seu “muito obrigado” ao sistema de saúde, compartilhando suas histórias.
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