Dois textos comentam conteúdo relacionado ao de nossa agenda no 64º encontro presencial do Fórum, marcada para terça feira, dia 22. Vale a pena xeretar também os links destacados nos artigos
O primeiro é A necessidade de se resistir ao avanço do capitalismo de vigilância.
O advogado e ativista Rafael Zanatta proferiu a palestra A biopolitização das plataformas: capitalismo de vigilância e resistências na noite de segunda-feira (14-5), no Instituto Humanitas Unisinos – IHU. No início, apresentou parte de sua trajetória, para relacioná-la ao assunto da palestra. Ele trabalha em projetos sobre direitos na internet. Salientou que estabelece uma análise politizada, pois “a escolha dos objetos de estudo é influenciada por uma prática e um ativismo”. A pesquisa, por sua vez, é uma forma de qualificação do ativismo e dos múltiplos atores que compõem a esfera pública em rede. No seu entendimento, “direito, economia política e ética não podem ser isolados”.
Para aprofundar o tema da palestra, Zanatta propôs algumas questões fundamentais: o que se entende por capitalismo de plataforma?; que tipo de economia política é estruturante do capitalismo de plataforma e o que difere de um fordismo industrial do século 20?; que diferença existe entre capitalismo de plataforma e capitalismo de vigilância?; e por que o conceito de biopolítica tem sido colocado nessa discussão?
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O segundo é Haverá proteção contra o capitalismo de vigilância?
"Existe um erro muito comum na discussão sobre proteção de dados pessoais. Muitos confundem-no com o “direito à privacidade”, utilizando conceitos do século passado, como o ideal burguês de uma esfera privada e o “direito de ser deixado a sós”.
Toda uma geração de juristas e ativistas tem lutado contra essa visão, evidenciando que se trata muito mais de uma batalha pela dignidade humana em uma economia constantemente digitalizada e baseada na extração de “inteligência” e “valor” de nossas próprias relações sociais (uma economia que Soshana Zuboff nomeou de forma precisa como “capitalismo de vigilância”). O italiano Stefano Rodotà falava sempre que a proteção de dados pessoais não é simplesmente um direito individual. É um direito fundamental voltado à regulação social dos mercados, à imposição de limites ao modo como informações são processadas e negociadas, ao esforço por dar mais poder às pessoas no controle do fluxo de informações gerado por elas próprias, mas manejados por grandes corporações. É uma questão de democracia e de equilíbrio de poder."
PB
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