Indústria brasileira 2.5. O futuro do Brasil no contexto da Revolução 4.0. Entrevista especial com Fábio do Prado
Vejam abaixo apresentação da entrevista.
Se, de um lado, o investimento em tecnologias é fundamental para a reindustrialização do Brasil, de outro, as mudanças geradas pelos processos de automação e os avanços da Revolução 4.0 geram uma preocupação: o que fazer com aqueles que ficarão à margem da formação tecnológica ou daqueles que poderão ficar desempregados? Para refletir sobre essas questões, Fábio do Prado, reitor do Centro Universitário FEI, acentua que uma atualização do magis inaciano pode contribuir na busca de uma resposta. “Temos de fazer mais e fazer o melhor, devemos sair da condição de conforto e lançarmos ao desconhecido, fazer melhor significa fazer o novo, e inovar. Santo Inácio dizia: ‘Aquele que deseja encontrar o magis deve arriscar-se na superação do já conhecido, do definido e do esperado, em vista sempre do bem maior, do novo e do mais justo”. Isso no meu entendimento é a base de um projeto inovador’”.
Outra inspiração de Fábio do Prado para pensar sobre as implicações da Revolução 4.0 são as reflexões do papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium, quando diz: “‘Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, das normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta’. Sempre que releio essa frase, que tem um forte cunho social, estendo seu raciocínio ao aspecto formativo: essa fome também é de conhecimento, também é de bons empregos, também é de colocação profissional e ascensão social por meio do trabalho decente, portanto, estamos falando de nossa responsabilidade de formar pessoas qualificadas”. Segundo o reitor da FEI, com o avanço da Revolução 4.0 um possível cenário de desemprego futuro “é real e deve nos preocupar, principalmente por vivermos num país em que isto não está no centro das atenções políticas”.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ele cita alguns dados do relatório The Future That Works, do McKinsey Global Institute. Entre eles, o de que “51% das atividades da economia norte-americana, que contabilizam quase 2,7 trilhões de salários, serão passíveis de ser automatizadas”. Isso significa “que 51% das atividades da economia americana podem ser substituídas por máquinas”. Essa realidade, pontua, demonstra que “temos que estar cientes de que durante um certo período de transição, as pessoas que estarão buscando a requalificação e recolocação profissional deverão ter algum tipo de subsídio público. Não vejo outra forma: alguma modalidade de bolsa-auxílio temporária deverá ser criada, enquanto os trabalhadores se recapacitam”.
Apesar de não ser possível prever quais serão as condições de trabalho no futuro, Fábio do Prado tem uma visão otimista. “Podemos falar de um futuro de abundância, e não de escassez, como muitos autores têm escrito”, aposta. Enquanto isso, ressalta, a formação universitária, mas também a básica, devem se preocupar em responder à seguinte questão: “Como formar profissionais qualificados e cidadãos solidários capazes de ser protagonistas nas transformações disruptivas e de propor soluções a questões complexas e mal estruturadas, ainda desconhecidas, por meio de tecnologias ainda não existentes, e que tenham como fim a melhoria da qualidade de vida?”.
Essas questões serão tema da conferência de Fábio do Prado na Unisinos campus São Leopoldo, promovida pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, na noite desta quarta-feira, 21-3-2017, intitulada A formação profissional no contexto da revolução 4.0.
Acesse a entrevista via link acima.
Ildeberto
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