Revolução 4.0.; Vazamento de rejeitos tóxicos Hydro alunorte
A cegueira estratégica na política industrial brasileira diante da Revolução 4.0. Entrevista especial com Marco Antonio Rocha
Um dos mais recorrentes discursos empresariais, sobretudo os relacionados à competitividade da economia brasileira, é o da necessidade de se reduzir o chamado “risco Brasil”. A retórica vem na esteira do debate sobre a redução de garantias constitucionais relacionadas à seguridade social e à legislação trabalhista. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, o professor e pesquisador da Unicamp Marco Antonio Rocha ressalta que esta perspectiva sobre o projeto de industrialização brasileiro revela a absoluta “falta de uma visão estratégica sobre desenvolvimento nacional”.
“Não há país de dimensões como as do Brasil que tenha se desenvolvido somente a partir de sua inserção internacional; pelo contrário, historicamente os grandes países em geral utilizaram o potencial de seu mercado interno para fortalecer sua estrutura industrial e ganhar competitividade para disputar mercados externos – como a China”, explica Rocha. Outro problema estrutural da política industrial no Brasil é que, sequer entramos consistentemente na Terceira Revolução Industrial, e estamos postos frente a frente com os desafios da Revolução 4.0. “Estamos perdendo alguns mecanismos responsáveis pela difusão de tecnologias da manufatura 4.0. Muitas dessas tecnologias terão um forte impacto negativo na capacidade de geração de emprego de alguns setores no Brasil”, frisa.
Atento às complexidades contemporâneas e à necessidade de superar os desafios da redução de postos de trabalho devido à automação industrial, Rocha alerta que é necessário ao país “encontrar ocupação para toda essa gente. No entanto isso será um problema não só brasileiro, mas atingirá o mundo inteiro. Isso reforça a ideia de que uma coisa fundamental a ser feita é reconstruir o sistema industrial brasileiro como uma forma de atenuar esse problema”, pontua. “A questão central é que precisamos construir nos próximos anos uma política de desenvolvimento produtivo de grande porte e isso não se fará sem contar com o amplo apoio da população a este projeto”, complementa.
Leia a entrevista aqui.
2. Laudo confirma vazamento em depósito de rejeitos tóxicos de mineradora Hydro Alunorte, no Pará
Técnicos do Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde, apresentaram ontem (22) laudo comprovando que um depósito de resíduos da empresa mineradora Hydro Alunorte, localizado em Barcarena, região metropolitana de Belém (PA), transbordou no último fim de semana, despejando uma quantidade ainda incerta de efluentes tóxicos no meio ambiente. Ainda de acordo com o documento, o vazamento coloca em risco a saúde de moradores de, ao menos, três comunidades próximas.
A reportagem é de Alex Rodrigues, publicado por Agência Brasil, 23-02-2018.
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