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  • A justiça continua decidindo em favor de empresas: seria culpa exclusiva da vítima.

A justiça continua decidindo em favor de empresas: seria culpa exclusiva da vítima.

Enviado por: ialmeida
em Qua, 22/02/2017 - 12:16

A justiça continua aprontando.

Aqui no fórum temos divulgado publicações, resultados de pesquisas e opiniões de muitos pesquisadores mostrando que o resultado de análises de acidentes é sempre uma construção social. Produto de escolhas equipe de análise. e mais, que as análises que explicam o acidente de modo centrado em comportamentos da vítima são eivadas de fragilidade técnica e apoiada em escolhas de conhecimento desatualizado e ou deliberadamente enviesado.

No estágio atual de evolução de conhecimento decisões desse tipo refletem a influencia do chamado paradigma tradicional de análises de acidentes entre profissionais que se dizem de segurança e, por tabela, no seio do judiciário.

Até quando!!!???

PB

http://www.tst.jus.br/noticias/-/asset_publisher/89Dk/content/operario-que-agiu-com-imprudencia-nao-sera-indenizado-por-acidente-com-maquina

 

A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento ao agravo de um auxiliar de fábrica que pedia indenização pelo acidente sofrido enquanto operava uma máquina na Laticínios Veneza Ltda.

Fatalidade X imprudência

O incidente aconteceu dez dias após a contratação do trabalhador, que, ao operar a máquina de embalar manteiga, teve um dos dedos da mão direita triturado. Na reclamação trabalhista, ele afirmou que nunca havia operado tal equipamento antes e que a empresa não forneceu qualquer treinamento para a execução do trabalho. Alegou ainda que a máquina estava com defeito naquele dia.

Em sua defesa, a Laticínios Veneza afirmou que forneceu todas as instruções para a operação da máquina e que o equipamento estava em perfeito estado de conservação. A empresa apontou culpa exclusiva do empregado, sustentando que ele agiu de forma imprudente e negligente.

Com base em depoimentos de testemunhas, o Juiz da 13ª Vara do Trabalho de Goiânia (GO), concluiu que o acidente ocorreu por ato inseguro do trabalhador, que, mesmo após receber instruções, colocou a mão dentro do moedor, descumprindo as ordens que havia recebido. A sentença assinalou que ato inseguro é toda conduta indevida do trabalhador que o expõe, consciente ou inconscientemente, a risco de acidentes, ou seja, é o comportamento que leva ao risco.

Na ausência de culpa da empresa, o pedido de indenização foi indeferido em primeira instância. Em recurso, o Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) também isentou a empresa de qualquer responsabilidade no acidente. Para o TRT, ficou provado que o empregado recebeu orientação expressa no sentido oposto ao executado, uma vez que a testemunha por ele indicada afirmou categoricamente que "o empregado era orientado a não colocar a mão dentro da máquina, mas constantemente a colocava, apesar de advertido".

O trabalhador tentou reformar a decisão no TST sustentando que a natureza da atividade da empresa oferece risco acentuado à sua integridade física, cabendo, assim, a aplicação do parágrafo único do artigo 927 do Código Civil, que prevê a indenização, independentemente da comprovação de culpa, no caso de atividade de risco. A Sexta Turma, porém, negou provimento ao agravo de instrumento que destrancaria o recurso.

A relatora do processo, ministra Kátia Magalhães Arruda, explicou que, no contexto analisado, não seria possível reconhecer a culpa exclusiva ou concorrente da empresa. Ao analisar o acórdão do TRT, a ministra concluiu que a empresa zelou pela manutenção adequada de suas máquinas, deu orientação expressa ao empregado sobre qual procedimento deveria adotar e fiscalizou o cumprimento das normas pertinentes, advertindo-o pelo descumprimento da orientação recebida.

"O empregado é que fazia procedimento perigoso que não era necessário para o desempenho de suas tarefas nem inerente à dinâmica empresarial", afirmou a ministra. "Assim, fica afastada a viabilidade do conhecimento do recurso de revista com base na fundamentação jurídica invocada pela parte".

A decisão foi unânime.

(Marla Lacerda/CF)

Processo: AIRR-1466-18.2010.5.18.0013

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