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De trabalhador a colaborador: estratégias discursivas no mundo do trabalho contemporâneo

Enviado por: ialmeida
em Dom, 05/07/2026 - 12:23

Sugestão de leitura (dica do Raoni)
De trabalhador a colaborador: estratégias discursivas no mundo do trabalho contemporâneo
De: Cirlene Luiza Zimmermann - Ministério Público do Trabalho (MPT) e Raoni Rocha - Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

RESUMO

Introdução: Este ensaio analisa em nível teórico-conceitual a substituição do termo “trabalhador” por “colaborador” nas relações de trabalho contemporâneas. A mudança lexical não representa apenas atualização semântica ou humanização, mas atua como dispositivo ideológico alinhado à lógica neoliberal de flexibilidade, individualização e controle subjetivo. Ao substituir termos historicamente carregados, o discurso gerencial obscurece as assimetrias nas relações de emprego, enfraquece a identidade coletiva e dilui fundamentos jurídicos da proteção ao trabalho.

Objetivo: O objetivo do ensaio é demonstrar como o eufemismo “colaborador” constrói um ambiente simbólico de falsa parceria, mascarando controle e subordinação. Busca-se também explorar as implicações políticas, jurídicas e psíquicas desse discurso na experiência laboral contemporânea.

Metodologia: O ensaio se apoia em estudos e reflexões provenientes da sociologia crítica, do direito do trabalho e dos estudos organizacionais. Discute-se a genealogia do termo “colaborador” no contexto de modelos de gestão flexível e capitalismo de plataforma. O método combina revisão bibliográfica crítica e análise discursiva das práticas de linguagem gerencial.

Resultados: A pesquisa evidencia que o termo “colaborador” promove internalização da coerção, intensificação do trabalho e erosão da consciência de classe. Mostra que o discurso de engajamento, empreendedorismo e responsabilidade compartilhada cria uma falsa sensação de parceria. Revela, ainda, como as estruturas linguísticas contribuem para a precarização laboral e obscurecem direitos trabalhistas históricos.

Conclusão: O ensaio conclui que é necessário repolitizar a linguagem do trabalho e reafirmar “trabalhador” como marcador de luta histórica e proteção jurídica. Propõe estratégias concretas de resistência, como litígios estratégicos, sindicalismo digital e plataformas cooperativas, capazes de enfrentar a lógica dominante de precarização na era digital.

PALAVRAS-CHAVE:colaborador; eufemismo; neoliberalismo; precarização do trabalho; trabalhador.
 

Acesse o texto completo no link original aqui.

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