Dica da Profa Frida FIscher
Air France e Airbus consideradas culpadas pelo acidente de 2009 que matou 228 pessoas
21 de maio de 2026
Um tribunal de apelações de Paris considerou a Airbus e a Air France culpadas de homicídio culposo corporativo pelo acidente com o voo 447 da Air France em 2009, que matou todas as 228 pessoas a bordo e continua sendo o pior desastre aéreo da França.
O tribunal ordenou que ambas as empresas pagassem a multa máxima de 225.000 euros (261.000 dólares americanos) cada. O veredicto, proferido em 21 de maio de 2026, representa uma reviravolta significativa em uma batalha judicial que se arrasta há mais de 17 anos.
Voo 447 da Air France: O que aconteceu?
Em 1º de junho de 2009, um Airbus A330, operando o voo 447 da Air France, partiu do Rio de Janeiro, Brasil, com destino a Paris. A aeronave caiu no Oceano Atlântico às 2h14, horário local, durante uma tempestade, matando todos os 12 tripulantes e 216 passageiros. Os ocupantes eram de 33 nacionalidades.
O avião desapareceu dos radares e, embora a Marinha brasileira tenha recuperado alguns destroços logo após o acidente, as caixas-pretas só foram encontradas em 2011, após uma busca em alto-mar que abrangeu 10.000 quilômetros quadrados.
O que os investigadores descobriram
Investigadores franceses determinaram que cristais de gelo bloquearam os tubos de Pitot da aeronave, responsáveis pela medição da velocidade. O bloqueio causou a desativação do piloto automático e provocou leituras inconsistentes de velocidade no painel de instrumentos.
A tripulação reagiu incorretamente à situação e a aeronave entrou em estol, do qual não conseguiram se recuperar. O relatório final atribuiu o acidente a uma combinação de pequenos problemas mecânicos, treinamento insuficiente da tripulação para lidar com tal cenário e comunicação deficiente entre o piloto e o copiloto.
O processo judicial
Os promotores argumentaram que tanto a Airbus quanto a Air France foram negligentes, apontando para práticas de treinamento deficientes e para a falta de acompanhamento de incidentes anteriores envolvendo falhas semelhantes em sensores.
Em abril de 2023, um tribunal de primeira instância absolveu ambas as empresas das acusações. No entanto, de acordo com o sistema jurídico francês, o recurso envolveu um novo julgamento completo, com todas as provas revistas do zero.
Ambas as empresas negaram repetidamente as acusações. Espera-se que haja novos recursos.
Reações das famílias
Familiares das vítimas reuniram-se em Paris para ouvir o veredicto. Embora as multas representem apenas alguns minutos de receita para ambas as empresas, os grupos familiares afirmaram que a condenação representa o reconhecimento da sua perda após quase duas décadas de luta por justiça.
21 de maio de 2026, 17:12 (UTC +3)
A Airbus vai recorrer ao Tribunal de Cassação.
Em comunicado divulgado em Toulouse em 21 de maio de 2026, a Airbus afirmou que apresentará um recurso ao Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial francesa em matéria penal e civil, para permitir uma revisão judicial das questões jurídicas levantadas pelo caso.
A fabricante observou que a decisão do Tribunal de Apelação de Paris contradiz os argumentos do Ministério Público em ambas as fases do processo: a ordem de arquivamento emitida pelos juízes de instrução em 2019 e a sentença de absolvição proferida em primeira instância em 2023. A Airbus também reiterou suas condolências às famílias das vítimas e afirmou que a segurança de voo continua sendo a prioridade absoluta da empresa.
A Air France ainda não indicou se apresentará um recurso semelhante.
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