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Dica de leitura: Saúde mental e moral capitalista do trabalho

Enviado por: ialmeida
em Dom, 30/01/2022 - 12:01

O professor Antônio Caldas está na origem de dica de leitura de "Saúde mental e a moral capitalista do trabalho. A dialética das alienações", da professora Jamila Zgiet. Editora Appris. 2021.

Vejam lnk para entrevista concedida pela autora por ocasião do dia mundial da justiça social (20 de fevereiro), no ano de 2021.

Vejam a Apresentação da Obra, feita pela autora.
 

Quando ouvimos falar sobre a relação entre trabalho e saúde mental comumente somos levados a pensar no adoecimento promovido pelo trabalhocomo o conhecemos – o emprego. E esse é, realmente, um tema importante e recorrente no nosso cotidiano. Todos conhecemos alguém que entrou em sofrimento por alguma situação no trabalho, seja nas relações com colegas e chefia, seja pelo excesso de serviço, pela remuneração injusta ou pela sensação de desvalorização.
O fato de passarmos grande parte da nossa vida no exercício de um trabalho que nos remunera, permitindo que tenhamos como sobreviver, revela o quanto esse assunto é relevante. Não por acaso, diversos estudos, pesquisas e livros vêm sendo elaborados sobre qualidade de vida no trabalho, sempre identificando novas formas de sofrimento vinculado ao trabalho assalariado e ao desemprego e, por vezes, também traçando estratégias para amenizá-lo. No entanto, a tentativa de reduzir o sofrimento nos espaços de exercício laboral teria como objetivo melhorar a vida do trabalhador ou aumentar o lucro do empregador e o desempenho da empresa? Busca-se extinguir a expropriação da força de trabalho ou adequar os trabalhadores às imposições e inovações do mercado?
Ainda que essas questões perpassem as reflexões apresentadas neste livro, aqui nos atemos a outro aspecto, igualmente contraditório e permeado de dúvidas e provocações intelectuais: a inserção da pessoa com transtorno mental no mundo do trabalho. O que se espera de alguém que, por ter um diagnóstico de transtorno mental, vê-se impedido de vender sua força de trabalho? Como as políticas sociais lidam com essa circunstância? O que as ideologias hegemônicas têm a ver com a situação em que vivem os loucos? Que relação a loucura guarda com a ética capitalista do trabalho?
Acreditamos que a alienação do trabalho – e do trabalhador – e a alienação mental têm mais aspectos em comum do que pode parecer. A ética capitalista do trabalho determina a forma como a sociedade lida com a
loucura, assim como define o que é adoecimento. Não era denominado tratamento moral aquele desenvolvido por Philippe Pinel no século XVIII? Embora o tratamento em saúde mental seja o primeiro pensamento que nos
ocorre ao abordarmos loucura ou transtorno mental, não podemos ignorar o fato de que as pessoas que fazem tratamento psiquiátrico ou acompanhamento psicossocial são usuárias de serviços de saúde – não só mental
–, são atendidas – bem ou mal – pelas políticas públicas de assistência social, educação, previdência, habitação e transporte. E essa relação com as políticas sociais tem fundamental importância em seu percurso, pois é o que pode incrementar sua socialização e fomentar o exercício da cidadania.
No Brasil, desde o início do século XXI, a oferta de serviços de saúde mental segue, legalmente, uma lógica psicossocial. A mudança de paradigma que vem sendo chamada de reforma psiquiátrica trouxe, na verdade, poucas mudanças à prática médica psiquiátrica nos serviços de saúde mental, mas tirou o foco do tratamento da internação e foi capaz de dissolver na equipe multiprofissional parte do poder antes concentrado na medicina. Também conseguiu fechar muitos manicômios que mantinham milhares de pessoas encarceradas em situação subumana. Por esse motivo é preciso aplaudir os avanços obtidos pelos movimentos sociais da luta antimanicomial brasileira.
Por outro lado, a experiência brasileira recente vem mostrando a fragilidade das políticas alicerçadas em reformas, normalmente incapazes de derrubar estruturas consolidadas da sociedade para erguer respostas coerentes à necessidade do povo. A instauração de um governo ilegítimo, apoiado pelas instituições que deveriam proteger a democracia, e, posteriormente, de um governo de extrema direita, eleito, mas com características antidemocráticas e de viés fascista, representou uma interrupção abrupta e brutal no caminho de
avanços percorrido pela política de saúde mental brasileira. Temos, portanto, a obrigação de rever os métodos para nossos esforços e reelaborar o suporte ideológico e teórico que nos ampara. Embora devamos prosseguir promovendo e exigindo, no nível imediato, melhores condições de vida para a população, não podemos esquecer o que permite o recrudescimento das desigualdades e a falta de dignidade sofrida por grande parte das pessoas, que é o próprio capitalismo. Isso significa que os serviços de saúde mental não conseguirão resolver o problema da pobreza entre as pessoas com transtorno mental enquanto elas não tiverem garantidos seus direitos de cidadania. E ouso afirmar que não é possível garantir esses direitos enquanto eles derivarem do
trabalho assalariado.

Jamila Zgiet

 

 

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