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Deu no Outra Saúde O desafio de construir um futuro para a Saúde brasileira

Enviado por: ialmeida
em Qua, 19/01/2022 - 12:35

Deu no Outra Saúde
 

O desafio de construir um futuro para a Saúde brasileira

Em debate no Cebes, José Gomes Temporão e Arthir Chioro sustentam: ressurge, em meio ao caos, disposição para reinventar Reforma Sanitária. Derrotar Bolsonaro será indispensável -- mas apenas o primeiro passo. Vêm aí tempos de luta

Nenhuma resenha pode relatar a contento o debate sobre o futuro da Saúde brasileira que dois ex-ministros da Saúde mantiveram, na última segunda-feira, por iniciativa do Cebes. Ao longo de uma hora, José Gomes Temporão, que ocupou a pasta entre 2007 e 2010, e Arthur Chioro (2014-15) examinaram em profundidade a devastação provocada, desde 2016, por governos empenhados em sabotar o SUS e abrir espaço à medicina de negócios. Mas foram muito além: esboçaram o cenário que pode se desenhar após a possível derrota do projeto de devastação, nas eleições de outubro. O panorama que traçaram é pedregoso, porque os retrocessos são dramáticos. Mas eles enxergam, nos sinais de resistência que se multiplicam, condições para retomar batalhas históricas.

Temporão, com a anuência posterior de Chioro, denunciou ponto a ponto o desmonte do ministério e a fragilização do SUS e da Saúde em geral em suas variadas dimensões: organizacional, laboral ou tecnológica, convergindo para um conflito central na presente conjuntura, que opõe a proposta do atendimento universal à da medicina privada. “Sabemos que o mercado não pode oferecer nenhum futuro à Saúde”, sintetizou. “Só um sistema universal, dirigido e regulado pelo Estado pode garantir equidade e proteção para todos”.

Não foi possível criar um sistema de fato universal, observa Temporão, nos 30 anos de grandes progressos havidos nessa área, no Brasil, impulsionados pelo movimento da Reforma Sanitária. E desde os governos Temer e Bolsonaro o sistema foi abandonado, desmontado e destituído de financiamento, enquanto o setor privado cresceu e ocupou espaços do SUS. Não vamos resolver esses problemas apenas elegendo um governo progressista esse ano, raciocina o ex-ministro. A eleição em outubro será essencial, mas não basta.

“Não se trata de recuperar bons programas, ou acrescentar novos, para dar conta dessa realidade”, afirma, “mas de entender como vem se dando há décadas na sociedade brasileira a luta pela apropriação dos fundos públicos da Saúde”. Isto é, a sua crescente privatização. A partir daí, é preciso enfrentar uma extensa agenda de luta, que inclui criar uma regulação para o setor privado e uma política de investimento na saúde que, por exemplo, inverta a atual preferência do Bndes (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pelo setor privado.

Mas a questão central, diz Temporão, é a sustentabilidade política do SUS. “É urgente ampliar o grau de consciência política da sociedade sobre os sistemas universais e do seu valor. Eu diria que ainda há um baixo grau de consciência e de percepção, pela sociedade, da Saúde como um bem público”, afirmou. A partir do diagnóstico exaustivo feito por ele, Arthur Chioro deu à sua exposição um caráter mais analítico, centrando nos aspectos políticos da agenda à frente.

Ele diz que Temer e Bolsonaro romperam com a narrativa de um SUS constitucional. Qualifica de forma impiedosa os atuais ocupantes do ministério, falando em “assalto aos fundos públicos”, “conluio de bandidos”, “condução criminosa” e, no enfrentamento da pandemia, “negacionismo a serviço de negócios”. Mas há resistência, pondera Chioro, dizendo que percebe no país uma disposição para uma necessária reinvenção do movimento sanitário brasileiro.

“O tema da Saúde tem condição de entrar como uma prioridade, de voltar à pauta política e eleitoral”, e isso é importante porque eleger um governo democrático faz muita diferença. “A Saúde no Brasil passa pelos rumos e pelo futuro da própria democracia”, analisa. Ele acha que a defesa da democracia é um ponto de destaque nessa disputa. “A democracia não existe sem Saúde e sem democracia não existe Saúde. Nesses termos, conclui que “as eleições de outubro são definidoras do que acontecerá com a Saúde no país”. Uma bela aula, em suma, mais que uma live.

José Gomes Temporão foi Diretor Geral do Instituto Nacional do Câncer (2003-2005), Secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (2005-2007) e membro Titular da Academia Nacional de Medicina. Arthur Chioro foi Professor-adjunto do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina, secretário municipal de saúde de São Vicente-SP e de São Bernardo do Campo-SP, presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo e Diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde (2003-2005).

Qual o futuro das vacinas brasileiras?

Mesmo a mais avançada, produzida pelo Butantan, encontra problemas para avançar nos testes e produção. Entre os motivos, o desmonte das universidades federais e a enfraquecida indústria do país

Em março de 2021, o governo de São Paulo e o Instituto Butantan anunciaram com alarde a produção da vacina ButanVac. Passaram-se dez meses e, apesar de ser o imunizante brasileiro mais adiantado, há dificuldades em concluir os testes preliminares. O principal motivo, neste caso, não é má notícia. Ocorre pela boa aceitação do país às vacinas já disponíveis, o que dificulta os experimentos de fase 2 e 3 – as que utilizam seres humanos para verificar se a vacina é segura e se há forte resposta imune pelos participantes. Como muitos já estão vacinados, a comparação da eficácia não pode ser feita com aqueles que receberam placebo. Mais recentemente, o Butantan fez uma alteração da investigação, para experimentar os resultados da ButanVac como dose de reforço. A pesquisa encontra-se na fase 2, e realiza testes com 6.496 voluntários.

Outra vacina em produção que também está encontrando dificuldades é a produzida pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, ligado à USP, e o Instituto do Coração (InCor). Os pesquisadores desenvolveram um imunizante via spray nasal – que, segundo o médico e pesquisador-chefe do estudo, Jorge Kalil, poderia ser uma arma poderosa contra a variante ômicron, que se instala justamente na parte superior do sistema respiratório. Kalil afirma que as pesquisas estão paralisadas devido a um problema na parte de tecnologia de produção. Segundo ele, há uma grande dificuldade em encontrar indústria com a tecnologia necessária para sua fabricação – embora não falte dinheiro ou conhecimento científico para produzi-la.

Há ainda ao menos outras quatro vacinas sendo produzidas, segundo registro da Anvisa. São elas a Versamune, da USP; SpiNTec, da UFMG, S-UFRJvac, da Federal do Rio de Janeiro e outra desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará. Estão na fase 1, que realiza testes com animais, e com exceção daquela da UFC, todas estão realizando os trâmites para iniciar a fase 2. Há uma similaridade óbvia entre todas: são produzidas por universidades públicas brasileiras. Justamente aquelas cujo orçamento previsto para esse ano é 15,3% menor do que o de 2019, e que veem-se à beira do colapso…

A Covax conseguirá vacinar 70% do Sul Global?

Iniciativa da OMS para distribuir vacinas aos países pobres ainda está longe de cumprir seu objetivo. Mas das nações do Norte e de grandes empresas serão a única saída para que o mundo supere a pandemia?

Liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o esforço de responder à pandemia de forma justa, distribuindo vacinas aos países de renda baixa, segue aos trancos e barrancos. Um dos grandes objetivos da Covax, em 2021, era ajudar o mundo a atingir o patamar de 40% da população vacinada até o final do ano. Mas surgiram grandes obstáculos, relacionados a financiamento e fornecimento insuficientes, e à má vontade dos países ricos em entregar as doses de vacinas que prometeram ao consórcio. Em uma reportagem publicada na revista virtual Vox, traça-se um panorama do que foi atingido até aqui, e do que esperar do futuro.
Apesar do atraso, e de não ter se alcançado a metade das 2 bilhões de doses inicialmente prometidas, o mês de dezembro pareceu promissor à iniciativa. Mais de 300 milhões de doses foram distribuídas a 144 países, no apagar das luzes de 2021 – um terço de todo o volume oferecido no ano. Pode significar que a colaboração global com o consórcio está enfim engrenando – o que dá esperança à OMS. Mas está distante de diminuir a extrema desigualdade vacinal: ainda hoje, mais cidadãos de países ricos receberam a terceira dose do que aqueles que receberam qualquer uma em países pobres.

Isso acontece, em grande escala, porque países desenvolvidos não estão cumprindo a promessa de doação de vacinas, como se vê no gráfico abaixo. Os EUA e a União Europeia prometeram, respectivamente, 857,5 milhões e 451,5 milhões de doses ao consórcio. Mas os norte-americanos entregaram menos de um quarto da promessa; e os europeus,, pouco mais da metade. E não trata-se de benevolência, mas de uma medida que poderá permitir, enfim, que o mundo se veja livre da pandemia, já que enquanto houver cidadãos não vacinados, novas variantes podem continuar surgindo – e colocarão a perder a eficácia das vacinas.
Apesar das boas notícias recentes, a Covax está muito longe de alcançar seu objetivo de entregar 70% das doses necessárias para países de renda baixa até a metade de 2022. E talvez esta meta nem seja eficaz como horizonte. O que a reportagem explica é que os países do Sul Global já estão encontrando seus próprios caminhos para adquirir as vacinas necessárias. E isso passa, evidentemente, pela pressão para quebrar as patentes e garantir que as grandes farmacêuticas – cuja pesquisa vacinal foi quase toda financiada por recursos públicos – transfiram tecnologia aos laboratórios do Sul do planeta.
PÍLULAS

• Covid na gravidez sem vacina • Obesidade e alcoolismo na pandemia •
• Benefícios do passaporte sanitário • Pais apoiam vacinação infantil •
• Covid e superbactérias • Coronavírus e o ar •

Covid-19 relacionada a complicações na gravidez e natimortos
Dois estudos recentes trazem péssimas notícias sobre os perigos da covid-19 em mulheres grávidas não vacinadas – e seus bebês. A revista Science publicou dados perturbadores de uma análise inédita que rastreou as dezenas de milhares de gestações na Escócia desde que a vacinação contra o SARS-CoV-2 se tornou disponível. Descobriu-se que mulheres não vacinadas e infectadas pelo vírus eram muito mais propensas a ter um bebê natimorto ou um que morre no primeiro mês de vida. Nas 620 mães que contraíram COVID-19 nos 28 dias anteriores ao parto, o estudo registrou 14 mortes fetais ou infantis, 10 delas natimortos. Todas as mortes ocorreram em gestações não vacinadas. E também para sua própria saúde: 98% das internações de cuidados intensivos que ocorreram durante o estudo e 91% das internações foram em mulheres não vacinadas.

Os efeitos da pandemia na saúde, mesmo para que não contraiu covid-19
Durante 2020, quando o Brasil teve de suportar seu período mais longo de isolamento social, cresceram o consumo abusivo de bebidas alcoólicas e o sedentarismo – resultando em maior incidência de condições como a obesidade. É o que revela a pesquisa Doenças Crônicas e Seus Fatores de Risco e Proteção: Tendências Recentes no Vigitel, realizada pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e divulgada pelo Estadão. O índice de  obesidade entre adultos nas capitais subiu de 20,3% em 2019 para 21,5% no ano seguinte. Jovens enfrentaram forte “desgaste psicológico”, e viram no álcool um refúgio. Sem locomoção para o trabalho, a população também deixou de buscar por exercícios. Servindo-se somente de delivery, a qualidade da alimentação despencou. A população mais pobre foi a mais afetada.

Passaporte sanitário: poupa milhares de vidas e faz bem à economia
Um estudo do Conselho de Análise Econômica da França, que contou com a colaboração de uma dezena de especialistas independentes – economistas, epidemiologistas, matemáticos e analistas de mercado – mostrou que sua adoção no país evitou 4 mil mortes e um prejuízo de 6 bilhões de euros, entre julho e dezembro de 2021. O trabalho ainda comparou a eficácia de certificados semelhantes adotados na Alemanha e Itália. Em menos de seis meses, os passes aumentaram a taxa de vacinação em 13 pontos na França, 9,7 pontos na Itália e 6,2 pontos na Alemanha. Utilizando mais de 250 indicadores econômicos, o levantamento estimou que, ao final de 2021, o passaporte de saúde evitou rombos de 1,4 bilhão de euros na Alemanha e 2,1 bilhões de euros na Itália. O estudo foi divulgado pelo jornal Le Monde, e republicado pela Carta Capital.

Grande maioria dos pais apoiam a vacinação dos filhos
Mais de 80% deles pretendem imunizá-los, segundo revelou o questionário VacinaKids, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). A pesquisa, divulgada no site da Fiocruz, mostrou hesitação de 16,4% de pais de crianças entre 0 e 4 anos, 14,9% de pais de adolescentes e 12,8% de pais de crianças entre 5 e 11 anos. A pesquisadora Daniella Moore associa, à minoria que reage à vacinação, o “medo de reações adversas à vacina”, ou a crença de que “a imunidade natural é uma opção melhor de proteção do que a vacina”, entre outros fatores. Mas destaca: "Trazer a vacinação desse grupo contra a covid-19 é uma oportunidade para conter o vírus, fortalecer a imunidade de rebanho, aumentar a segurança do retorno escolar presencial e, o mais importante, proteger as crianças e adolescentes”.

Pandemia e superbactérias em UTIs
As internações causadas pela covid-19 em UTIs no Paraná favoreceram a incidência de bactérias super resistentes, devido inclusive ao uso desordenado de antibióticos. A conclusão é de um estudo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), publicado no Journal of Hospital Infection. Em 2020, foi constatado o crescimento de casos da chamada Acinetobacter baumannii, bactéria resistente a antibióticos de amplo espectro. O estudo analisou 99 hospitais no estado, que notificaram 11.248 infecções associadas a dispositivos invasivos, como ventiladores mecânicos, catéteres e sondas, em 243.631 pacientes adultos admitidos em UTI entre janeiro de 2019 e dezembro de 2020. A infectologista Viviane Maria de Carvalho Hessel Dias, pesquisadora da PUC-PR, alerta para uma crise que espreita os centros de saúde em meio à crise generalizada e a explosão de internações no país.

Coronavírus perderia capacidade de contágio após 20 minutos
Pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra, dizem ter constatado que a capacidade de contágio do vírus da covid, após 20 minutos em contato com o ar, é reduzida em 90%. O estudo simulou o comportamento do vírus após a expiração. À medida que os patógenos deixam os pulmões – onde há ambiente úmido e rico em dióxido de carbono – perdem rapidamente água  e têm o pH alterado. A velocidade com que se desidratam varia de acordo com a umidade relativa do ar. No entanto, os pesquisadores indicam que a temperatura do ar não fez diferença na infetividade viral, desbancando a ideia de que a transmissão viral é menor em altas temperaturas. A pesquisa ainda precisa passar por revisão por pares.

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