Mistão de leituras selecionadas da Newsletter do IHU.
1. O lugar da universidade brasileira. Palestra de Marilena Chaui
Destaco:
"A força do tirano, explica La Boétie, não está onde imaginamos encontrá-la: nas fortalezas que o cercam e nas armas que o protegem. Pelo contrário, se precisa de fortalezas e armas, se teme a rua e o palácio, é porque é covarde, sente-se ameaçado e precisa exibir signos de força ou atos de crueldade. Fisicamente, um tirano é um homem como outro qualquer – tem dois olhos, duas mãos, uma boca, dois pés, dois ouvidos; moralmente, é um covarde, prova disso estando na exibição dos signos de força e nos atos de crueldade. Se assim é, de onde vem seu poder, tão grande que ninguém pensa em dar fim à tirania?
Responde La Boétie: sua força vem da ampliação colossal de seu corpo físico por meio de seu corpo político, que dá lhe mil olhos e mil ouvidos para espionar, mil mãos para espoliar e esganar, mil pés para esmagar e pisotear. O corpo físico do tirano não é ampliado apenas pelo corpo político como corpo de um colosso, também sua alma é ampliada por meio das falsas leis, que lhe permitem distribuir favores e privilégios e seduzir os incautos para que vivam à sua volta para satisfazê-lo a todo instante e a qualquer custo.
Entretanto, é preciso perguntar: quem lhe dá esse corpo político gigantesco, sedutor e malévolo? [...]"
Acesse o original e veja a resposta da autora.
2. O futebol-mercadoria e o massacre no Catar
"Dez anos depois de a FIFA escolher emirado ultraconservador para Copa-2022, surgem os dados. 6,5 mil já pereceram nas obras de estádios e infraestrutura. Imigrantes, fugiram da desigualdade para a armadilha mortal do trabalho precário."
"As descobertas, reunidas a partir de fontes governamentais, mostram que uma média de 12 mortes por semana de trabalhadores imigrantes desses cinco países sul-asiáticos, desde a noite de dezembro de 2010, quando as ruas de Doha se encheram de multidões em êxtase para celebrar a escolha do Catar.
Dados da Índia, Bangladeche, Nepal e Sri Lanka revelaram que houve 5.927 mortes de trabalhadores imigrantes no período de 2011 a 2020. Separadamente, dados da embaixada do Paquistão no Catar relatam 824 óbitos de trabalhadores do país no mesmo período."
Sobre o mesmo tema vejam também:
3. Covid: de que servem 250 mil mortes?
"No dia em que país ultrapassa marco sinistro, surgem novos sinais de que o pior está por vir, se as ações não mudarem rapidamente. Mas poder político segue capturado. E mais: cresce a defesa do SUS, contra a PEC-bomba de Guedes. escrevem Maíra Mathias e Raquel Torres, editoras do portal Outra Saúde, na newsletter diária sobre as principais notícias sobre saúde do dia publicada por Outras Palavras, 25-02-2021.
250 mil mortes
O Brasil chegou ontem às 250 mil mortes causadas pela covid-19. Por coincidência, o marco foi registrado um ano depois que o primeiro paciente que recebeu confirmação para a doença no país deu entrada no hospital. Por negligência de muitos gestores – e projeto do governo federal – dobramos mais esta assustadora esquina no pior momento da pandemia no Brasil, com menos de 3% da população vacinada e diversas cidades em colapso."
4. Após um ano do primeiro caso confirmado de covid-19, Brasil vive o pior momento da pandemia
Entrevista do Dr Gonzalo Vecina.
Destaco:
"Estratégia do governo: deixar morrer
Médico e infectologista, Gonzalo Vecina, professor na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), alerta que a crise sanitária “não é um milagre, abracadabra“. Em entrevista a Marilu Cabañas, do Jornal Brasil Atual, Vecina afirma que “isso é fruto da forma como o Estado brasileiro está enfrentando a pandemia. Ou seja, está deixando ‘correr solta’ a pandemia. Não tem cabimento o que está acontecendo no Brasil”, lamenta.
Enquanto o Brasil vive um crescimento no número de casos, de forma inversa outros países começam a reduzir o índice de infecções e óbitos. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve uma queda de 22% nas mortes no último mês. Em Israel, Reino Unido e Chile também há avanços, em especial em seus desempenhos na imunização de suas populações.
Na avaliação do fundador da Anvisa, todo o caos sanitário pelo qual passa o país está atrelado à estratégia adotada há um ano pelo governo de Jair Bolsonaro. “Vamos deixar o maior número de pessoas pegar a doença, que assim a doença acaba”, reproduz Vecina, aludindo ao que seria a postura do presidente. “Mas o grande problema desse raciocínio é que, quando nós temos pessoas que se infectam, também temos um aumento do número de mortes”, observa."
Acesse o link e veja o texto completo.
5. A TECNOLOGIA DIGITAL NOS TORNA MELHORES? NO MOMENTO, PARECE QUE NÃO.
Destaco:
"Animal digitalis
Hannah Arendt destaca em seu ensaio mais importante sobre filosofia da tecnologia o grave perigo do cientificismo. Ela vê o cientificismo como o problema de que sejam diluídas as diferenças entre homem e máquina.
Arendt anuncia, além disso, a possibilidade de que esta dissolução de diferenças faça com que a linguagem humana se torne matemática e formal, sem significado algum, ao modo da máquina. Esta matematização da comunicação a faria limitada e funcional, os seres humanos se confundiriam com as máquinas.
Nós nos comunicamos como máquinas? Minha tese é que não. Ao contrário, a digitalização cria adictos que não param de se comunicar digitalmente. E não com sinais matemáticos, que levariam a ser funcionais como as máquinas, mas mediante uma linguagem emocional própria dos animais. Ou seja, é uma comunicação animalizada porque o homem, enquanto animal, é suscetível ao vício e o vício leva a repetir condutas compulsivamente. Esta repetição no âmbito digital é produtora de dados, o que gera enormes lucros.
Neste sentido, a comunicação digital tem uma série de traços que tendem a animalizar o ser humano ao torná-lo adicto, emocional, transparente, fechado no presente e solitário. Estes traços, combinados entre si, configuram o animal digital.
Primeiro, a digitalização é viciate [...]"
Acesse o link e veja a descrição desse animal digitalis.
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