Portugal testa "botão de pânico" para médicos e enfermeiros do serviço público
Giuliana Miranda
NOTIFICAÇÃO 9 de julho de 2019
Lisboa – Com queixas crescentes de violência contra profissionais de saúde, Portugal acaba de lançar um projeto-piloto que disponibiliza uma espécie de "botão de pânico" para médicos e enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
O recurso começará a ser testado em três hospitais da Amadora, na região da Grande Lisboa: Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados da Brandoa, Unidade de Saúde Familiar Amato Lusitano e Hospital Fernando da Fonseca.
O dispositivo, que envia uma mensagem rápida de sinalização de perigo, deverá ser acionado quando os profissionais de saúde se sentirem ameaçados.
O botão permitirá uma reação rápida das equipas de segurança.
O objetivo é que o alerta de segurança possa ser acionado a partir de qualquer computador das unidades de saúde, bastando pressioná-lo por alguns segundos.
Para além do "botão de pânico", o governo português quer investir no treinamento dos profissionais de saúde para situações de perigo e em campanhas de consciencialização contra violência.
Os resultados das três primeiras unidades de saúde devem ser acompanhados por entre seis meses e um ano. A ideia do Ministério da Saúde é alargar a medida a outros pontos por todo o país.
O recurso adotado agora em Portugal é inspirado em uma iniciativa semelhante em Vigo, na Espanha. Após uma série de ameaças e de agressões a profissionais de saúde, um grande hospital da região da Galícia implementou o sistema em meados de 2018.
Disponível a princípio em 50 computadores, o sistema deve chegar a 1.000 dispositivos na unidade de saúde espanhola até o fim de 2019.
Problema mundial
Classificada como um problema emergente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência contra profissionais médicos e enfermeiros preocupa em todo mundo.
A organização estima que entre 8% e 38% dos profissionais da área já tenham sido vítimas de violência em algum momento da carreira. [1]
Em Portugal, os números mostram um aumento nas queixas. Dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) indicam que, só nos primeiros seis meses de 2019, foram mais de 400. Em 2017, foram 678 casos.
Para auxiliar no combate ao problema, a Ordem dos Médicos de Portugal lançou, em maio, um gabinete de apoio dedicado a situações de violência e de burnout.
As agressões físicas e psicológicas são frequentemente associadas a problemas como diminuição da autoestima profissional, perda de satisfação no trabalho, trauma, incapacidade, aumento dos custos do litígio e absenteísmo das equipas.
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