Saiu Relatório Nós e as Desigualdades.
Oxfam Brasil.; Abril 2019
Apresentação
APRESENTAÇÃO
A Oxfam Brasil traz aqui os resultados de sua segunda pesquisa de opinião realizada em conjunto com o Instituto Datafolha. Trata-se de uma contribuição ao debate sobre a redução das desigualdades brasileiras a partir da percepção da população.
O Brasil segue como um dos países mais desiguais do mundo. Os desafios são profundos. As desigualdades
que enfrentamos vão para além da renda, das crises econômicas ou fiscais. Construímos uma sociedade que
normalizou a existência de cidadãos e cidadãs de primeira e de segunda categorias, daqueles que têm direitos e dos que não têm. Um país onde morar em periferias ou ser negro e negra já define, de antemão, a qual categoria você pertence.
É preciso enfrentar essa triste realidade com políticas sociais inclusivas, com direitos sociais garantidos, respeitando os diretos humanos no seu conceito amplo e aprofundando a democracia.
Ouvir o que a população brasileira tem a dizer sobre esse tema é importante. Em que pese os imensos desafios na percepção pública sobre a distribuição de renda, ao menos 8 em cada 10 brasileiros acreditam que não é possível progresso sem redução de desigualdades. Além disso, a confiança da população na responsabilidade do Estado para enfrentar as desigualdades é maioria.
Há apoio para uma tributação justa, que aumente a carga no topo da pirâmide. Existe um anseio por políticas
públicas universais e de correção de desigualdades sociais e regionais. O papel da cor da pele na definição
da renda, na contratação por empresas, na abordagem policial e no tratamento dado pela justiça aparece com
força. A discriminação de gênero segue presente na percepção de brasileiras e brasileiros. De 2017 para cá, data da primeira pesquisa que fizemos com o Datafolha, há um crescimento na percepção do racismo e machismo na sociedade, ainda que isso não possa significar uma tendência.
Existem várias políticas e ajustes que necessitam ser discutidos no país. Porém só avançaremos se os temas
do racismo, da discriminação de gênero e do respeito à diversidade, da discriminação pelo endereço de moradia, do assassinato de jovens de periferia tiverem a mesma urgência que os temas econômicos e fiscais. Ainda assim, é fundamental que nas soluções econômicas e fiscais exista um processo democrático e de discussão com a sociedade.
Esperamos, que esta pesquisa sirva para abrir discussões sobre a importância do papel do Estado no enfrentamento das desigualdades. Esperamos ainda, contribuir para, a partir da percepção da sociedade, aprofundar o diálogo sobre a urgência em se construir um Brasil mais justo, solidário e humano.
Nós e as desigualdades: aos números!
Katia Maia
Diretora Executiva
Oded Grajew
Presidente do Conselho Deliberativo
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