GRANDE LEGADO
Depois de abordar os 30 anos da Constituição, o Globo publicou ontem uma matéria falando especificamente do aniversário do SUS, descrito como “um dos maiores legados da Constituição”. O texto fala dos avanços estupendos na Saúde da Família, nos hospitais de referência, no combate ao tabagismo, no tratamento do HIV, no programa de transplantes, na cobertura vacinal. “Foi o SUS que fez do Brasil o país com a maior aceleração da redução da mortalidade infantil - a taxa diminuiu em 67,5% de 1990 a 2015, sem paralelo no mundo”, diz o texto.
A matéria afirma que parte dessas conquistas começou a ser revertida nos últimos dois anos e apresenta críticas aos subsídios dados aos serviços privados. Menciona o “subfinanciamento crônico”, mas em nenhum momento critica a Emenda do teto dos gastos, cuja revogação está na pauta de alguns candidatos, como Ciro, Haddad e Boulos. Cita estudos indicando que, além do subfinanciamento, há imenso desperdício devido à má gestão, tanto por corrupção como por negligência. Na atenção básica, a ineficiencia estimada é de 45%, e na secundária e terciária é ainda maior, 70%. Uma pesquisa do Coppead/UFRJ sobre a situaçao do Rio mostrou que há excesso de exames desnecessários nos hospitais privados que atendem ao SUS, por exemplo.
O jornal entrevistou pesquisadores que apontam a falta de relevância política do Sistema. Prova disso é que, embora a saúde seja a maior preocupação da maioria da população, isso não se reflete nos programas de governo dos candidatos à presidência. “Nenhum governo o priorizou seja na alocação de recursos quanto na escolha de ministros. E não se trata só do Executivo. Jamais tivemos uma bancada do SUS no Legislativou”, disse Lígia Bahia, professora da UFRJ.
NA TV
E ontem o Jornal Nacional deu uma matéria bem grande, de quase 10 minutos, sobre o SUS. Foi a partir daquela série de vídeos que as pessoas enviam falando sobre o Brasil que elas querem, e a saúde é uma das áreas que mais apareceram nas mensagens.
Primeiro falaram muito mal dos serviços em alguns lugares, com os problemas já conhecidos das filas, da demora (e às vezes impossibilidade) de fazer exames. E depois veio o exemplo de onde o sistema funciona, apesar de o país gastar pouco com saúde, porque quando há boa estão e “quando o médico e a equipe também se sentem responsáveis pelo destino do paciente, a situação muda”. O foco foi o município de Três Lagoas. “Para mim é o melhor plano de saúde que existe no Brasil. É o SUS”, diz um dos moradores. E é a Saúde da Família que está por trás do sucesso, com agentes comunitários de saúde, prontuário eletrônico, fisioterapia e pequenos procedimentos feitos na UBS. Por lá, pelo menos 95% dos problemas são resolvidos na atenção básica
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