A notícia abaixo se refere aos produtos chamados de desreguladores ou perturbadores endócrinos. Aqui no portal já divulgamos notícias sobre essas "gracinhas". De modo simplificado, são produtos não hormonais que, em doses baixíssimas, atuam em organismos vivos como se fossem hormônios femininos.
A reportagem não cita, mas nos Estados Unidos uma das principais organizações na luta contra esses produtos é a Sociedade Médica de endocrinologia. Os endocrinologistas americanos tem estudos mostrando que algumas centenas de venenos agrícolas usados em larga escala no mundo tem efeitos desreguladores. Ou seja, eles também devem ser acrescentados na lista citada na reportagem abaixo.
Ildeberto
Deu no Outra Saúde
CRIANÇAS CONTAMINADAS
Estudo da USP analisou a presença de substâncias conhecidas como desreguladores endócrinos em crianças brasileiras. São contaminantes que podem interferir na síntese e ação de hormônios, responsáveis por funções como metabolismo, crescimento, desenvolvimento, sono e por aí vai. Ao todo, 65 compostos foram analisados em 300 amostras de urina. Os piores níveis de contaminação foram encontrados nas regiões Norte e Nordeste do país – superando, segundo o coordenador do estudo, Bruno Alves Rocha, índices de países como EUA, Canadá e China. Essas substâncias estão presentes em cosméticos, produtos de cuidado pessoal e plásticos em geral, como garrafas.
As meninas são as mais afetadas por desreguladores como o triclosan (presente em desodorantes e sabonetes antibacterianos), parabenos (conservantes) e benzofenonas (esmaltes, protetores solares, maquiagem e produtos para os cabelos). Outro composto, chamado ftalatos, foi encontrado em 90% das amostras de urina e apresenta níveis tóxicos em pelo menos um terço das crianças brasileiras. A substância é encontrada em sprays de cabelo, sabões, xampus, perfumes, produtos de limpeza e plásticos.
De acordo com a OMS, existem 800 compostos químicos que podem ter efeitos no sistema hormonal. Mas falta pesquisa. Apenas uma pequena fração mereceu investigação. Decisão da Comissão Europeia, em 2016, definiu que 66 são desreguladores e há evidências científicas disso. No mesmo ano, os Estados Unidos proibiram a comercialização de 19 compostos, dentre eles o triclosan que apareceu em altos níveis nas meninas brasileiras. Por aqui, segundo a BBC Brasil, em 2011 a Anvisa vetou a presença de um composto – o bisfenol A – em mamadeiras destinadas a bebês de até 12 meses. E só.
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