Saúde do trabalhador e saúde do consumidor se encontram em salões de cabeleireiros.
As reportagens permitem debates interessantes sobre a saúde vista em perspectiva de integralidade. Algumas questões sugeridas:
- Seria o formol o único risco à saúde de trabalhadores e consumidores em salões de beleza?
- Considerando o largo tempo de venda e uso desses produtos no mercado brasileiro o que poderia ser feito (e como) visando a identificar possíveis impactos de saúde decorrentes dessas exposições (nos grupos expostos)?
- Ao responder a questão acima considere também as seguintes situações adicionais. E se a trabalhadora estivesse:
- Grávida ou querendo engravidar? O que deveria ser feito?
- Amamentando seu bebê recém nascido?
- A reportagem cita ação da PROTESTE e faz paralelo com atuação de ANVISA. Quais são os papéis desses dois organismos na sociedade e o que os achados do estudo citado permitem pensar a respeito do como ambos estão se saindo?
- O que você diria se em situação parecida representantes da indústria produtora em questão criticassem as ações e papeís da Proteste e da ANVISA defendendo que a solução desse tipo de problema deveria ser deixada sob a responsabilidade do livre mercado. Que é um equívoco aceitar a intervenção do estado nessas situações? Afinal, a existência das regulações (definindo níveis máximos permissíveis do formol por produto, por exemplo), ou de Agências estatais com atribuições como as da ANVISA são ou podem ser importantes para a saúde de trabalhadores e de consumidores?
- Que perguntas poderiam ser sugeridas nesses casos sobre o papel da ANVISA nesse caso. E em outros assemelhados? Será que ela está adequada para cumprir o papel que a sociedade espera que cumpra?
- Que pergunts adicionais vc faria considerando as respostas e ou explicações atribuídas aos representantes das empresas (os produtos testados devem ter sido falsificados, etc)?
- Por favor, leitores, sugiram questões adicionais.
PB
Vejam duas reportagens a respeito:
01. Proteste encontra irregularidades em tratamentos para alisar cabelos
Maioria dos produtos tinha uma quantidade de formol acima da permitida. Anvisa também flagrou o mesmo tipo de irregularidade.
link para video de reportagem do Bom Dia Brasil
A ONG Proteste, que atua em defesa do consumidor, testou produtos para tratamento de cabelo, e revelou que a maioria das marcas analisadas tinha formol acima da quantidade permitida.
CONFITA A LISTA DE PRODUTOS QUE FORAM PROIBIDOS PELA ANVISA
Maxxdonna Profissional Matutinha Máscara 02 Redutora de Volume
(todos os lotes)
2 Step Ingel Maxx Premium Forever Liss Professional
(todos os lotes fabricados até 31/10/2017)
Forever Liss Botox
(suspensão do lote 054)
Bio Amazônica – Argila Terapia
(suspensão do lote 5444)
Royal Power Organic Protein Naturelle
(suspenso)
In Gel Maxx Forever Liss
(suspensão dos lotes 161130013 e 170217006)
Maxxdonna Profissional Bandida
(reprovado)
Tribotox Antifrizz Duradouro
(fabricação proibida)
02. PROTESTE encontra produtos de escova progressiva com até 32 vezes mais de formol que o permitido pela Anvisa
Dos 12 produtos testados, 10 contém formol acima do permitido pela Anvisa
Na última terça-feira, 05, a PROTESTE, Associação de Consumidores, divulgou o teste realizado com 12 marcas de “escovas progressivas” mais vendidas no Brasil, com o objetivo de avaliar a segurança de cada uma delas através dos parâmetros de rotulagem, dosagem de formaldeído e pH.
MARCAS TESTADAS:
• Zap All Time;
• Gloss Profissional;
• Maria Escandalosa;
• Portier – Exclusive;
• Portier – Unique;
• Foreverliss;
• Probelle;
• G Hair- Tratamento capilar marroquino;
• G Hair – Fórmula Original Alemã;
• Etnik Brasil;
• Madamelis;
• Maria Glamurosa.
O formol é considerado cancerígeno pela OMS (Organização Mundial de Saúde), quando absorvido pelo organismo por inalação e, principalmente, pela exposição prolongada, apresenta como risco o aparecimento de câncer no aparelho respiratório e no sangue.
Apesar do desejo de alguns por cabelos lisos e brilhantes, não se pode permitir que os consumidores se exponham a riscos, ainda mais quando sequer sabem dos perigos que estão expostos: produto se dizem livre de formol, mas apresentam uma concentração elevada desta substância, mascarada por uma fórmula extremamente perfumada e sem identificação de sua presença no rótulo.
Risco maior ainda correm os profissionais de beleza que lidam diariamente com este tipo de produto, expondo-se continuamente a concentrações de formal consideradas danosas à saúde.
O teste comprovou irregularidades em todos os produtos testados, sendo a concentração de formaldeído acima do permitido a mais grave irregularidade encontrada.
RESULTADOS:
Dos 12 produtos analisados, 3 estão irregulares em relação à notificação exigida pela Anvisa. O produto ”Gloss”, está com a notificação vencida e o produto “G Hair Tratamento capilar marroquino” está com a notificação cancelada. Já o produto “Maria Escandalosa” traz informações confusas, uma vez que o número de notificação apresentado não é o mesmo que consta no site da Anvisa.
Ressalta-se ainda o fato de que o produto “G Hair Marroquino” traz na sua composição a substância ácido glioxílico e como procedimento de uso do produto secagem com secador e prancha (“pranchar de 7 a 10 vezes cada mecha”). No entanto, no site da Anvisa diz, especificamente, que o uso dessa substância para esse tipo de procedimento (tratamento térmico) é considerado inseguro e que “caso o consumidor e profissional do salão de beleza encontre algum produto contendo ácido glioxílico com essa finalidade deverá denunciar à vigilância sanitária estadual ou municipal”.
Formol
A concentração máxima de formaldeído em cosméticos capilares permitida pela Anvisa é 0,2% - que não causa danos à saúde e tem ação conservante, ou seja, não é capaz de exercer ação alisante sobre o fio. Das 12 amostras testadas apenas 2 – Probelle e Portier Unique – não contém formol acima do permitido, mas contém a substância (em baixíssimas quantidades) e não informam no rótulo.
As demais amostras apresentam formaldeído em concentrações muito acima do permitido chegando a 32x esse valor (Zap All Time). Vale ressaltar que das 10 amostras que contém formaldeído em excesso, 6 sequer citam a substância na lista de componentes. São essas: Maria Escandalosa, Foreverliss, Gloss, Portier Exclusive, Zap e Maria Glamurosa.
pH
O pH dos fios de cabelo varia de 4,5 a 5,5. Formulações capilares com variações extremas de pH podem danificar o fio capilar, isso porque o cabelo encolhe e enrijece ou até mesmo dissolve por completo em pH muito ácido ou aumenta a porosidade à medida que as camadas de cutícula se dilatam, obtendo uma aparência ressecada e opaca, chegando até a dissolução completa do fio em pH fortemente alcalino.
Para cosméticos capilares o pH deve ser superior a 2,5 e inferior 11,5. Os produtos Probelle e Portier Unique apresentaram pH de 1,8, mais ácido do que o recomendado, o que pode não somente danificar os fios como irritar o couro cabeludo e a pele. O uso desse produtos especificamente deve ser feito com cautela e aplicados por profissionais capacitados.
Diante dos resultados do teste, a PROTESTE pediu à Vigilânica Saninátia e a Secretaria Nacional do Cosnumidor, a retirada do mercado dos produtos que estão com a notificação vencida, cancelada, aqueles que a numeração não corresponde ao produto e especialmente os que possuem ácido glioxílico com modo de uso que envolve aplicação de calor e formaldeído em concentração dezenas de vezes superior ao permitido, em função da potencialidade do dano à saúde dos que o utilizam de alguma forma.
Também pediu que a classificação referente ao grau no momento do registro do produto junto à Anvisa (varia de acordo com o número de exigências em função dos riscos apresentados) seja revista, para aumentarmos a segurança de todos.
Além disso, a PROTESTE não permitirá que as pessoas sejam enganadas em relação aos ingredientes que os produtos possuem, por isso reivindica também a alteração dos rótulos incompletos.
Há opções seguras para os consumidores?
Sim, Probelle e Portier Unique. Mas ambas precisam acrescentar na lista de ingredientes o formaldeído e devem ser utilizadas de acordo com as instruções do rótulo dado o baixo pH.
Para conferir o teste completo entre no site da PROTESTE: www.proteste.org.br/escova-progressiva
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