Compartilho o depoimento do colega da carreira de especialista em meio ambiente, analista ambiental, Ricardo pinheiro Lima:
"Hoje eu tive uma daquelas notícias que a gente nunca espera. Perdi 3 colegas de trabalho que se dirigiam a uma operação de combate a crimes ambientais na Amazônia, por conta da queda do avião que os transportava; um quarto colega sobreviveu, mas está em estado muito grave no hospital. Um deles, mais próximo, era um bom amigo, grande caráter, excelente profissional, de postura exemplar. Nestas horas, mais do que em outras tantas, surge a vontade de descrever todas as condições às quais os agentes de fiscalização ambiental são submetidos, por vezes arriscando a vida pelo trabalho o que, infelizmente, não é apenas uma metáfora, sem que haja um mínimo de valorização da pessoa, do trabalho, da instituição ou da causa.
Este país não deu, não dá, nem nunca dará boas condições de trabalho a quem se enfia nos mais distantes e impenetráveis buracos, passando dias e noites à mercê de uma série de perigos a fim de proteger o patrimônio ambiental brasileiro, do qual nem o Estado nem a sociedade em geral querem saber patavina. Eu cansei disso... Não é a morte trágica de um companheiro diário de trabalho que me faz pensar assim, mas este acontecimento apenas ilustra o quão desamparados estão os fiscais ambientais que tomam tiro de fazendeiros, são perseguidos no meio do mato por toda a sorte de jagunços, são feitos prisioneiros em hotéis cercados pelo banditismo agrário ou são obrigados a utilizar aeronaves duvidosas para chegar ao seu local de combate. É um desabafo. Mas, de fato, eu cansei disso já faz tempo...o patrimônio ambiental brasileiro, o maior do planeta, não vale nada para quem deveria fazer dele prioridade. E parece que a vida de quem o protege, também não..."
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