DEU NO OUTRA SAÚDE:
1. Acidentes de trabalho em frigoríficos
2. nanopartículas, poluição ambiental e doenças neurológicas
3. Nature publica longa reportagem sobre o que se sabe a respeito do papel das máscaras como proteção contra a covid-19.
1. BEM MAIOR QUE A MÉDIA
O Brasil tem 458 grandes frigoríficos, dos que podem vender carne para todo o país e para o exterior. Quase metade está em municípios com menos de 50 mil habitantes. E, nas pequenas cidades que abrigam essas empresas, o índice de acidentes de trabalho é quase 70% maior que a média nacional, segundo um levantamento d'O Joio e o Trigo. Foram mais de sete mil ocorrências em 2019 só nos frigoríficos, e elas representam 41% de todos os acidentes de trabalho dessas cidades. Movimentos repetitivos, pressão para produzir muito e ritmo de trabalho acelerado ajudam a explicar porque esse setor gera tantos acidentes.
E o número encontrado pela reportagem está, provavelmente, abaixo do verdadeiro. "Muitas vezes, o trabalhador é encaminhado ao INSS depois de passar pelo médico da empresa, que não reconheceu o nexo epidemiológico [a relação entre a lesão e o trabalho exercido]. O perito acaba por enquadrar o trabalhador no benefício previdenciário [que não tem relação com o trabalho], que não garante depósito de FGTS ou estabilidade de um ano após o retorno ao trabalho", explica a reportagem. Quem ganha são as empresas.
Aliás, não é à toa que municípios pequenos tenham tantos frigoríficos. Segundo as companhias, a oferta de insumos e a proximidade das fazendas são as principais justificativas para isso. Mas há outras: "Isso se chama análise de risco. Eu vou onde o padre vai pedir a minha bênção e o delegado vai perguntar se pode abrir um inquérito. Essas empresas se aproveitam de redução de impostos, empréstimos públicos e doação de terrenos para expropriar as cidades pequenas, onde quem manda mesmo é o dono do negócio", afirma Paulo Rogério de Oliveira, especialista em saúde ocupacional.
2. PERIGO NO AR
Pesquisadores encontraram nanopartículas de poluição do ar associadas a danos causados por doenças degenerativas no tronco cerebral de crianças e jovens que morreram repentinamente. O novo estudo mostra o possível mecanismo físico que poderia provar como uma maior exposição à poluição do ar aumenta a incidência dessas enfermidades.
Publicada na Environmental Research, a pesquisa examinou 186 cadáveres com idades que variavam entre 11 meses e 27 anos, na Cidade do México. Os cientistas encontraram grande quantidade de partículas ricas em metal em seu tronco cerebral, com formato e composição química semelhantes às produzidas pela poluição no trânsito. Essas nanopartículas já foram associadas em outros estudos a proteínas anormais que são marcas registradas de doenças como Alzheimer e Parkinson. Em comparação, os pesquisadores viram que pessoas da mesma idade que moram em áreas menos poluídas não tinham acumulado as tais proteínas.
“Se a descoberta inovadora for confirmada por pesquisas futuras, ela teria implicações mundiais porque 90% da população global vive com ar inseguro”, comenta o editor de meio ambiente do Guardian, Damian Carrington. Os especialistas estão cautelosos e disseram que, embora as nanopartículas sejam uma causa provável dos danos, ainda não se sabe se isso leva a doenças mais tarde na vida. Também reconhecem que haverá fatores genéticos na equação, e provavelmente outros fatores ambientais também. De qualquer forma, o trabalho fornece hipóteses que podem ser testadas.
“Não podemos provar a causalidade agora, mas como você poderia esperar que essas nanopartículas contendo essas espécies de metal ficassem inertes e inofensivas dentro de células críticas do cérebro? É como uma arma fumegante, parece que essas nanopartículas estão disparando as balas que estão causando os danos neurodegenerativos observados”, disse ao jornal, Barbara Maher da Lancaster University, uma das pesquisadores do estudo feito por universidades britânicas e americanas.
3. Papel das máscaras na prevenção da covid-19
Em tempo: o site da Nature publicou um longo texto resumindo tudo o que se sabe (veja destaque abaixo) sobre o uso de máscaras até agora. A relutância das autoridades suecas em recomendarem o uso massivo se devia à falta de evidências, e faz sentido até certo ponto. De fato, não há evidências irrefutáveis quando se trata das máscaras de pano, por exemplo. E é difícil provar a eficácia das máscaras para proteger a população em geral, porque é complicado (eticamente, inclusive) fazer um ensaio com um grupo de controle sem máscaras. A reportagem discute justo quão robustas as evidências precisam ser nesse caso, quando a observação indica claramente o benefício das coberturas faciais.
NEWS FEATURE 06 October 2020
Face masks: what the data say
The science supports that face coverings save lives, and yet the debate trundles on. How much evidence is enough?
- Efetue login ou registre-se para postar comentários





Joe Capps e as máscaras contra disseminação doenças respiratória
Dr JOE CAPPS E AS MÁSCARAS
Durante a epidemia de gripe espanhola, em 1918, o dr Joe Capps iniciou a prescrição de máscaras de gaze para seus pacientes que apresentavam doenças respiratórias. O objetivo era reduzir a disseminação dessas doenças.
O artigo do Dr Capps foi publicado na edição de 10 de agosto de 1918 no JAMA (The Journal of the American Medical Association) (Barry, JM. A grande gripe. Rio de Janeiro. Editora intrinseca, 2020, p 231-32)
Ildeberto