Saiu novo número da PURAKI.
Destaco Editorial (abaixo) e especial chamado Quando o trabalho mata (aqui) .
mas vale a pena xeretar a revista toda :
Editorial
Há dez anos, o rompimento da barragem de Fundão rasgou o Rio
Doce, destruiu uma comunidade inteira e escancarou para o país o
que significa, na prática, subordinar vidas à lógica do lucro. Nesta
segunda edição da Puraki, partimos desse marco para reafirmar o
trabalho como centro da disputa por direitos, memória e futuro. Não
foi fatalidade, foi crime: trabalhista, ambiental e político. A lama que
arrastou casas, rios e projetos de vida segue presente na água, no
corpo e na memória de milhões de pessoas atingidas — e é a partir
dessa ferida aberta que organizamos o caderno especial e o conjunto
de reflexões que atravessam a revista.
O caderno especial sobre mineração desvela a engrenagem que
conecta evasão de tributos, adoecimento coletivo e captura de instituições.
Ao lado dele, artigos discutem a reestruturação produtiva na
Quarta Revolução Industrial, a pejotização e a uberização, a reforma
tributária e o papel dos sindicatos, a solidariedade internacional
diante dos ataques ao SUNTRACS e a luta por justiça de transição
frente à impunidade de grandes corporações.
Entre a dor que não cicatriza e as experiências de organização — nas
fábricas, nos rios, nas ruas, nos palcos e nos espaços de memória — esta
edição afirma a Puraki como lugar de encontro da classe trabalhadora.
Que cada artigo ajude a nomear responsabilidades, fortalecer laços
de solidariedade e alimentar a imaginação política necessária para
que desastres anunciados deixem de ser destino e se tornem ponto
de partida para mudanças reais.
Adendo: Por que Puraki?
O nome Puraki vem do Nheengatu — língua indígena de base tupi. Nesse idioma, Puraki significa “trabalho” — e a revista adota esse termo como eixo editorial para refletir sobre trabalho e direitos, justiça social e memória, valorizando também as raízes culturais brasileiras que sustentam essa escolha.
É a partir desse compromisso — trabalho como vida concreta, e não como abstração — que esta edição se organiza. Aqui, as imagens não aparecem
como pausa: elas atravessam as páginas como uma linha narrativa; às vezes documentam, às vezes ironizam, às vezes ferem — e, muitas
vezes, convocam. É o nosso modo de lembrar que o trabalho tem rosto, ritmo, risco, humor, disputa e memória. Por isso, as obras e registros
reunidos nesta edição foram escolhidos com todo o cuidado, para que cada página sustente, com clareza, a força do que está sendo contado.
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