Um acidente com pelo menos 6 vítimas fatais foi noticiado a semana passada envolvendo a queda de uma torre de transmissão de energia no Pará.
As primeiras notícias divulgadas nada informam sobre o acidente em si, o que estava sendo feiro, o que explica que a torre caisse matando seis trabalhadores e ferindo outros 13.
O ocorrido ensejou manifestação e pequena troca de mensagens entre o AFT Luiz Scienza e o pesquisador Heleno Correa que divulgo abaixo. Em seguida acrescento comentário pessoal.
Desabamento de linha de transmissão no Pará deixa 6 mortos ..
Um acidente na obra da linha de transmissão na rodovia Transamazônica, no trecho do Pará, deixou pelo menos 6 mortos e 13 feridos. As vítimas do desabamento de duas torres de transmissão de energia, na tarde de hoje, eram trabalhadores da obra no município de Pacajá, no sudeste do estado.
De acordo com informações da Secretaria de Saúde de Pacajá, as torres estavam sendo construídas por uma empresa particular. Cinco trabalhadores morreram no local e um no hospital municipal.
Os outros 13 feridos foram encaminhados para o Hospital da Transamazônica e o estado de saúde deles ainda não foi informado.
A prefeitura de Pacajá emitiu nota lamentando o caso e informando que os funcionários trabalhavam para a empresa de engenharia SK. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) comentou o desabamento em sua conta no Twitter, afirmando que o governo do estado está dando "toda assistência" ao município.
Outro link de notícia do acidente
https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2021/07/16/torre-de-transmissao-de-energia-cai-e-deixa-ao-menos-sete-mortos-no-para.ghtml
Obras faziam parte do projeto Novo Estado que vai construir 1805 km de linhas de transmissão no Pará e Tocantins, a ampliação de 3 subestações e a construção de uma nova subestação.
A responsável é a SKIC, Contratada pela Engie, vinculada ao Ministério de Minas e Energia
NOTA DE PESAR E SOLIDARIEDADE ÀS VÍTIMAS E FAMILIARES DE ACIDENTE EM TORRE DE TRANSMISSÃO NO PARÁ
O CNE - Coletivo Nacional dos Eletricitarios recebeu consternado a notícia do acidente que matou pelo menos seis trabalhadores e deixou cerca de 13 feridos no Pará, enquanto trabalhavam na construção de uma torre de transmissão de energia que caiu, entre os municípios de Anapu e Pacajá, nesta sexta, 16 de julho.
A torre não pertencia a Eletronorte e, segundo o que foi inicialmente apurado, fazia parte da construção de uma linha de transmissão Xingu – Serra Pelada – Miracema, sob responsabilidade da empresa privada Sigdo Koppers Ingeniería y Construcción (SKIC). No momento da queda, 26 pessoas estavam na torre.
O CNE se solidariza com os familiares e amigos dos trabalhadores mortos e deseja que os feridos tenham plena recuperação. Também esperamos que se faça justiça a cada vida perdida e trabalhador ferido, com investigação rigorosa dos fatos e apuração das responsabilidades, assim como esperamos que a empresa, de fato, garanta plena assistência aos trabalhadores feridos e a todas as famílias das vítimas.
É triste e muito emblemático que mais um acidente envolvendo empresa privada sacrifique vidas de trabalhadores e deixe famílias devastadas.
Solidariedade e Justiça!
17 de julho de 2021.
CNE - Coletivo Nacional dos Eletricitarios
Luiz Scienza postou:
Muito tempo atrás, um acidente similar ocorreu no interiorzão deTocantins, também com muitos óbitos, durante a montagem de torre de transmissão elétrica. Acompanhado de uma colega AFT, no local verificamos um processo de montagem absurdo, em série, que privilegiava a velocidade de execução e redução de tempos, muito pouco a segurança dos trabalhadores. Pura organização do trabalho perversa, muito além de não existirem projetos de execução, definição e dimensionamento de sistemas de segurança. Na época, interditamos a montagem de centenas de outras torres, mas a medida foi logo sustada por outros colegas. Parece que os anos passam, mas a indignidade e indiferença, não.
Postagem do Heleno
[11:58, 18/07/2021] +55 61 8119-3766: Tem como fazer um briefing sobre a diferença entre as técnicas de engenharia na montagem que ampliam o risco de morte?
[11:59, 18/07/2021] +55 61 8119-3766: Com a privatização da ANEEL isso irá se multiplicar provavelmente.
Scienza comenta post do Heleno
Heleno, faz muitos anos que não atuo no setor elétrico. Meios e tecnologias podem ter mudado, não me arriscaria. Mas, pelo que li, aqui bem distante dos fatos, os fatores da organização que atuaram neste evento parecem os mesmos de antes: primazia de atingimento de metas e resultados numéricos em detrimento da segurança das pessoas. As técnicas de engenharia se moldam aos objetivos da organização, se a velocidade de execução é prioridade, a integridade das pessoas passa longe. Algo muito similar acontece no setor de telecomunicações, especialmente entre instaladores e manutentores de redes aéreas. Hoje, as agências de regulação já se portam como braços da iniciativa privada, mas, evidentemente, sempre pode piorar
Resposta do heleno
Vamos depender de manifestações dos eletricitários então. Obrigado
Comentário PB (Ildeberto)
Fiquei sabendo do ocorrrdio via mensagem envada pelo prof René Mendes, que coordena a FRente Ampla em defesa da Saúde dos Trabalhadores
As primeiras noticias publicadas destacam a quantidade de vítimas fatais no acidente e praticamente nada que possa dar pistas sobre as origens do acidente e sobre caminhos para a prevenção de eventos similares numa obra anunciada de construção de 1805 km de linhas de transmissão.
Importante ver que o Coletivo Nacional dos Eletricitarios tomou conhecimento do ocorrido e se manifestou a respeito. O mesmo digo em relação ao presidente do ITD - Instituto Trabalho Digno, Luiz Scienza que também comentou o ocorrido
Pessoalmente não tenho contato com integrantes do Coletivo mas acho importante que nós, Frente Ampla. ITD, Fórum AT nos coloquemos à disposição para colaborar em eventual trabalho de análise do ocorrido e de apoio à adoção de plano de ação visando intervir na segurança e prevenção de novos acidentes na construção da obra. Cabe aos organismos de vigilância em saúde do trabalhador do SUS lá da região e também ao que resta de equipe de inspeção fiscal do trabalho, do antigo Ministério do Trabalho e Emprego agir nesse momento. tomar iniciativas de prevenção e de suporte às famílias das vítimas. É preciso urgência em coleta de dados sobre o histórico de segurança da empresa envolvida no AT e das demais contratadas para o conjunto da obra. Procurar conhecer os planos de montagem, os cronogramas, os recursos previstos e agir para evitar e se for o caso, desconstruir, explicações que tentem atribuir o acontecido a culpa das vítimas como é tão comum entre nós.
Importante saber que o Scienza já teve experiência com acidentes similares.
Agradeço a quem tenha informações sobre este caso e ocorrências parecidas que as divulguem por aqui
Abraços
PB
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revista Proteção: Acidente com queda de torres que matou sete tr
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Acidente com queda de torres que matou sete trabalhadores no Pará pode ser criminoso
Por Bruna Klassmann 20/07/2021 Atualizado: 3 horas atrás
A queda de duas torres de transmissão ocorrida em Pacajá, sudeste do Pará, segue sob investigação. “Para preservar o local da ocorrência nós isolamos toda a área, pois apesar de parecer um possível acidente de trabalho, nós, da Polícia Civil, não podemos descartar que o acidente tenha ocorrido de forma criminosa”, declarou, na segunda-feira (19), o delegado Rafael Costa Buzar, titular da Delegacia de Pacajá.
A área da queda das torres foi isolada para que autoridades busquem mais informações que permitam descobrir as causas e os responsáveis pelo desabamento. “Nossa presença também se faz necessária para constatar que o local continua preservado, sem que tenha ocorrido nenhuma alteração ou invasão na cena”, informou Buzar.
Crédito: Reprodução/TV Liberal
O desabamento ocorreu na sexta-feira (16). As torres estavam em construção. A obra estava sendo executada pela empresa Sigdo Koppers Ingeniería y Construcción (SKIC), contratada pela ENGIE, vinculada ao Governo Federal por meio do Ministério de Minas e Energia.
Ainda nesta segunda-feira, a Polícia Civil continuou ouvindo depoimentos de testemunhas e pessoas ligadas à construção das torres. Logo após o acidente, o delegado que comanda as investigações ouviu funcionários que presenciaram a queda das estruturas. Os responsáveis pela empresa também deverão ser intimados a prestar depoimento.
Peritos criminais do Núcleo de Engenharia Aplicada (NEA), do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves (CPCRC), sediado em Belém, foram acionados. Entre as perícias solicitadas está a que envolve constatação de danos, verificando se a estrutura das torres era capaz de sustentar todo o sistema de cabeamento da linha de alta tensão que está sendo construída. “Tudo o que estava no local, causado pelo sinistro, como a fundação, a estrutura dessas torres e o cabeamento que elas estavam sustentando, foram coletados para nossa análise”, disse Socorro Raiol, perita criminal responsável pelo levantamento.
Vítimas
A perícia criminal realizada no dia do acidente constatou que 12 doze pessoas estavam trabalhando nas torres no momento do acidente. Cinco operários morreram na hora e dois foram socorridos, mas não resistiram aos ferimentos. Os peritos também confirmaram que, em análise imediata, a queda poderia ter consequências incalculáveis caso a linha de transmissão estivesse energizada. “A tragédia poderia ser muito maior, pois havia outras dezenas de pessoas no canteiro, trabalhando nas proximidades da base das torres”, completou o perito criminal Lennon Valle.
Todas as análises serão reunidas no laudo definitivo sobre as causas do desabamento, ajudando a concluir o inquérito policial instaurado, sobretudo em relação aos possíveis culpados pelo acidente. “Quando todas as análises forem concluídas vamos produzir esse laudo, que vai apontar o que levou ao desabamento”, reforçou Socorro Raiol.
As vítimas que morreram no acidente são:
Luís Carlos Pereira, (MA)
Oziel da Silva Passos (SE), 27 anos
Expedito Bezerra dos Santos Filho (SE), 23 anos
Romário Santos (MA),
Fagner Martins da Silva (MA),
José Neponuceno Guimarães (morreu no Hospital de Pacajá), (PI)
Alex da Natividade Rodrigues (morreu a caminho do Hospital Regional da Transamazônica), (MA)
Os trabalhadores mortos na tragédia não têm familiares em Pacajá. Eles são trabalhadores que vieram de outros estados para fazer a montagem das torres da linha de transmissão da energia de Belo Monte. A empresa que coordena a obra deve ficar responsável pelo translado do corpos às cidades de origem.
Projeto Novo Estado
De acordo com Ministério de Minas e Energia, as vítimas eram funcionários da empresa Sigdo Koppers Ingeniería y Construcción (SKIC), contratada pela ENGIE para a implantação do Projeto Novo Estado, no município de Pacajá. Em 2019, a ENGIE assinou o contrato de aquisição do Projeto Novo Estado, que prevê a construção de mais de 1.800 km de linhas de transmissão no Pará e Tocantins, além de uma subestação e da expansão de outras três.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, todas as atividades foram interrompidas e medidas de apoio aos acidentados e às famílias das vítimas estão sendo adotadas pela SKIC e acompanhadas pela companhia. As causas do acidente estão sendo apuradas.
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Acidente em obra de linha de transmissão no Pará deixa sete trabalhadores mortos
Por Bruna Klassmann 19/07/2021 Atualizado: 7 horas atrás
Um acidente nas obras para a implantação da linha de transmissão do Projeto Novo Estado, na rodovia Transamazônica, no município de Pacajá, no Pará, deixou sete trabalhadores mortos, de acordo com nota divulgada pela Engie Brasil Energia, produtora privada de energia elétrica responsável pelo projeto. Outros 12 trabalhadores ficaram feridos, dos quais oito foram liberados e quatro estão hospitalizados.
O acidente ocorreu na sexta-feira (16). Os trabalhadores, contratados pela Sigdo Koppers Ingeniería y Construcción (SKIC), empresa especializada na execução de projetos de construção e montagem industrial de grande porte, contratada pela Engie para implantação da linha de transmissão.
A empresa informou que paralisou todas as atividades do projeto e que medidas de apoio aos acidentados e às famílias das vítimas foram providenciadas pela SKIC e acompanhadas pela companhia. “Uma comissão multidisciplinar está analisando as causas com o objetivo de elaborar um plano de ação e atualizar os procedimentos. A retomada das atividades ocorrerá de forma segura a gradativa”, diz a nota.
A SKIC informou ainda que a prioridade agora é “auxiliar as famílias que perderam seus entes queridos, acompanhar de perto o estado de saúde dos feridos e ajudar as famílias das vítimas no que for necessário”. A empresa diz ainda que está contratando a perícia técnica para investigar as causas reais do acidente e que dará todo apoio às autoridades na apuração do caso.
O Ministério de Minas e Energia publicou, no mesmo dia, nota de pesar lamentando o ocorrido. “Mesmo sabendo não haver palavras que possam amenizar a dor neste momento difícil, expressamos os nossos votos de superação às famílias, amigos e parceiros de trabalho”.