Impactos de saúde da exposição a compostos desreguladores endócrinos tem sido cada vez mais estudados. Ele tanto pode acometer trabalhadores lidando com esses produtos como consumidores, especialmente de alimentos vendidos em embalagens plásticas e latas que trazem em seu interior revestimento à base de películas que contem ftalatos ou outros disruptores.
Inicialmente se destacavam como desfio da esfinge. ao estilo, decifra-me ou te devoro.
O trabalho da Associação norte americana de endocrinologistas ajudou a dar destaque ao tema.
São compostos que atuam em diferentes organismos de animais e humanos como se fossem hormônios femininos mesmo sendo quimicamente diferentes. Atualmente já são centenas de compostos reconhecidos como gindo dessa forma.
Destaque: Trata-se de atuação que parece ser exercida por exposições baixíssimas, geralmente consideradas inócuas e que agora se revelam associadas a efeitos de saúde (por exemplo, em sistema reprodutor) que tradicionalmente não eram estudados em investigações toxicológicas. Isso podia estimular falsas afirmações de que os produtos não apresentavam toxicidade para as populações estudadas.
A notícia abaixo destaca estudo realizado em parceria por docente da UNESP Botucatu com pesquisadores estrangeiros.
Composto químico pode abrir caminho a doenças na próstata
Professor Wellerson Scarano, da Unesp Botucatu, conduz trabalho com pesquisadores dos EUA
Novembro é o mês de conscientização ao Câncer de Próstata, segundo tipo de neoplasia mais comum entre os homens. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são mais de 68 mil novos casos por ano. Idade avançada, histórico familiar e obesidade costumam ser os principais fatores de risco.
Mas o que poucos sabem é que a exposição a determinadas substâncias químicas, denominadas Desreguladores Endócrinos, também pode contribuir no desenvolvimento desta doença. É o que sugere um trabalho conduzido pelo professor Wellerson Scarano, biomédico e docente do Instituto de Biociências da Unesp Botucatu, em parceria com pesquisadores da Universidades de Illinois, em Urbana/Champaign (College of Veterinary Medicine) e da Harvard University (Harvard School of Public Health), nos Estados Unidos.
O projeto intitulado “A collaborative study between Brazilian and US scientists: the effects of environmental chemical exposures on reproduction" (Um estudo colaborativo entre cientistas brasileiros e norte-americanos: os efeitos das exposições químicas ambientais na reprodução, na tradução literal) teve início em 2018 e é financiado pela FAPESP e pelo Lemann Institute (USA). Desde então o projeto tem reunido dados que associam o impacto de certos componentes tóxicos presentes no ambiente no sistema genital de seres vivos.
Entre eles está o ftalato, substância química bastante utilizada no processo industrial de produtos como cosméticos (para dar brilho e fixação de cor) e objetos de plástico (para tornar mais rígido ou maleável). Um dos experimentos, reportado na revista Toxicological Sciences, em setembro deste ano, mostra que o ftalato alterou o desenvolvimento da próstata dos filhotes de ratas tratadas durante a gestação e lactação.
“Os filhos de ratas tratadas tiveram aumento na expressão de genes e microRNAs, alguns deles relacionados ao desenvolvimento do câncer de próstata, o que nos leva a hipótese de que a exposição ambiental a esses agentes químicos em gestantes pode aumentar a susceptibilidade dos filhos desenvolverem doenças da próstata quando envelhecerem”, argumenta Scarano, que recentemente esteve nos EUA ministrando palestras sobre o tema a alunos e professores de Illinois e Harvard.
Além de Scarano, o projeto envolve outros pesquisadores como a Dra. Jodi Anne Flaws (Illinois) e Dr. Bernardo Lemos (Harvard). Esta parceria permitiu que um novo projeto seja proposto ao NIH (National Institute of Health), também nos Estados Unidos. Se concedido, o valor do financiamento será de aproximadamente R$ 1,2 milhões ao longo de 5 anos. O tema: Biologia do Envelhecimento dos Tecidos Reprodutivos. A princípio, outros dois professores do IBB também estarão envolvidos na proposta: Luis Fernando Barbisan e Luis Antonio Justulin.
“Esta proposta pretende analisar duas variáveis importantes do envelhecimento: a queda hormonal masculina e feminina nas gônadas que leva a doenças como osteoporose, e às repercussões da menopausa e andropausa; e o envelhecimento da mama e da próstata, que são órgãos associados ao sistema reprodutor, e que são os alvos de maior incidência de câncer em homens e mulheres com o avançar da idade”, explica Scarano, que até 2021 deve fazer novas visitas às instituições norte-americanas dentro da programação de atividades do projeto científico.
“Este projeto compreende quatro etapas, sendo que três delas estão praticamente cumpridas. As próximas estão em andamento, e na minha próxima visita aos EUA provavelmente discutiremos os resultados finais”, complementa.
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