Revolução 4.0: “Não encontraremos na história momentos de forte correlação com o que viveremos”. Entrevista especial com João Roncati
O Brasil e os países da América Latina estão “investindo na esteira dos países desenvolvidos” e caminhando para a transição tecnológica, mas os principais “avanços” na região ainda são “alavancados por empresas multinacionais que trazem das suas matrizes as diretrizes, em busca de modernização, adequação, eficiência”, informa João Roncati, diretor da People+Strategy Consultoria Empresarial, à IHU On-Line. Segundo ele, a limitação de recursos nacionais para investir em tecnologia se reflete igualmente numa “limitação de escala e velocidade”.
No atual contexto de transformações tecnológicas, Roncati destaca a necessidade de estar atento às implicações sociais que podem ser geradas por essas mudanças, porque “seguramente a questão da manutenção dos empregos e, consequentemente, a capacidade de renda para a subsistência é a maior preocupação”. Por isso, frisa, “o processo de transição precisa ser gerenciado”, porque “entre o acesso massivo a soluções de saúde, por exemplo, poderemos ter um deslocamento de mão de obra muito grande. Assim, os benefícios poderão não vir na mesma velocidade dos impactos de redução de renda das famílias, nem tampouco de forma homogênea para economias subdesenvolvidas ou em desenvolvimento”. E aconselha: “A grande questão é como gerenciar o que é ideal, diante do que é possível ou do que será liderado por corporações e economias desenvolvidas”.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, Roncati também comenta os desafios da formação de jovens que ainda nem ingressaram no sistema de ensino ou estão em fase de alfabetização. Para ele, o ensino desses jovens que provavelmente irão trabalhar em atividades que ainda não existem só é um “motivo de preocupação” “quando enxergamos a educação como um processo de ‘formação de mão de obra’”. Ele diz ainda que o foco estrito na formação profissional tem sido um “gigantesco equívoco” adotado por universidades e escolas. “Se olharmos a história, isto já vem ocorrendo há alguns anos e faz parte de um processo de mudanças. Particularmente, acho empobrecedor. O mercado de trabalho é importante, mas não é o centro de nossas vidas (ou não deveria ser)”, conclui.
João Roncati estará no Instituto Humanitas Unisinos – IHU na noite de hoje, 09-04-2019, participando do “4º Ciclo de Estudos Revolução 4.0. Impactos nos modos de produzir e viver”, onde ministrará a palestra intitulada “Revolução 4.0 e (des)igualdades no Brasil e na América Latina”, às 19h30min na sala Ignacio Ellacuría e Companheiros - IHU.
(Acesse o link acima para ver a entrevista)
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