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Três em um: Tragédia em suzano

Enviado por: ialmeida
em Ter, 19/03/2019 - 11:57

Três noticias sobre o evento. Recomendo em especial a terceira:

"Os jovens mudaram, e a escola não acompanhou".

 

01. O massacre na escola em Suzano também inclui vítimas de acidentes de trabalho.

http://www.ihu.unisinos.br/587438-massacre-em-escola-de-suzano

Destaco trecho: (para post completo acessem o link acima

"[...]

Bom, por enquanto ainda não se descobriu nada sobre videogames. Mas já se sabe outra coisa: segundo a apuração do R7, Guilherme e Luiz frequentaram o Dogolachan, um fórum acessível na dark net e usado por homens que seu autointitulam 'masculinistas', que nutrem ódio por minorias e reverenciam quem comete esse tipo de crime. Nos 'chans', usuários não precisam se identificar e podem basicamente fazer e falar qualquer coisa.

Os rapazes chegaram a pedir dicas por lá sobre como fazer o atentado. "Fique com Deus, meu mentor. O sinal será a música no máximo 3 dias depois estaremos diante de Deus, com nossas 7 virgens", mostra o print de uma mensagem supostamente enviada ao administrador do fórum.

Pouco depois das mortes, os dois já eram heróis nos chans, embora alguns usuários lamentem o fato de que eles não conseguiram matar mais gente. Para quem não sabe ou lembra, a professora e militante feminista Lola Aronovich passou quase uma década denunciando as ameaças e ações de ódio contra ela por parte de frequentadores desses espaços, que chegaram a expor seu nome e endereço. O Dogolachan foi enfim alvo de uma grande operação da Polícia Federal, e no ano passado um dos seus criadores foi preso e condenado a 41 anos. O outro está foragido"

 

02. Massacre em escola de Suzano: destaque na mídia é 'recompensa' para atiradores, diz pesquisadora americana

Acesse o link para a reportagem completa.

"[...]

Para a americana Jaclyn Schildkraut, professora de Justiça Criminal da State University of New York (Universidade Estadual de Nova York) em Oswego, nos Estados Unidos, que há vários anos estuda massacres em escolas e universidades do país, esse excesso de atenção acaba recompensando os atiradores, ao torná-los famosos, e pode inspirar novos ataques.

"Tipicamente, a cobertura da mídia é centrada no atirador, em vez de focar nas vítimas ou nos heróis que responderam ao ataque", diz Schildkraut à BBC News Brasil.

"Isso recompensa essas pessoas por matar outras pessoas e incentiva outros ataques semelhantes", afirma a especialista, autora do livro Mass Shootings: Media, Myths and Realities ("Tiroteios em massa: Mídia, Mitos e Realidades", em tradução livre).

Schildkraut e outros especialistas ressaltam que uma das motivações desse tipo de massacre é a busca de atenção, fama e notoriedade.

"(Com o foco no atirador) você está dizendo àqueles com ideias semelhantes que também serão recompensados com fama se fizerem algo parecido, ou até pior", observa.

 

03. "Os jovens mudaram, e a escola não acompanhou". Entrevista com Miriam Abramovay

destaco:

"Em primeiro lugar, acho incorreto usar o conceito de bullying, porque incorpora muitos problemas sem especificar nenhum – o racismo, a homofobia, a violência que vem de fora para dentro da escola. E, mais grave, não distingue problemas entre as diferentes gerações. O bullying acontece entre alunos, não existe entre professor e aluno.

O que o garoto sofreu, quando falamos que ele foi vítima de bullying? Não quer dizer nada. O conceito é muito complicado por isso. Que tipo de violência? Nunca se sabe. Temos que falar que ele sofreu algum tipo de violência, mas precisamos descobrir qual, o que aconteceu com ele que foi tão grave. Penso que não foi só o fato de ele ter sofrido na escola que o levou a essa ação.

Existe uma certa exposição, além de uma maneira de ser e atuar de determinados jovens, que os leva a cultuar a violência. Não vemos todos os jovens que sofreram violência nas escolas fazerem práticas semelhantes. Temos que levar em conta essa questão da predisposição e as características desse menino. A polícia está trabalhando para entender a rede que ele tinha ao seu redor.

Esse jovem integrava uma rede que mostrava como fazer as coisas, qual arma comprar. É um crime de ódio muito bem preparado, durante quase um ano. Não foi algo que veio na cabeça, e eles entraram na escola. Não sei o que se pode fazer quanto à internet, mas é preciso ficar atento. Chama atenção também como é fácil comprar armas. Se isso for flexibilizado, é evidente que a situação vai piorar.

Existe algum risco de a visibilidade do caso estimular novos atentados?

Não vejo essa relação. O que aconteceu é único. Mourão associou o massacre a jogos eletrônicos e disse que vê os netos jogando o dia inteiro. Será que eles terão uma atitude como essa? É evidente que não. Só quem já tem tendência violenta vai imitar.

Estamos sempre em busca de culpados. O importante é pensarmos em medidas preventivas, e não de força. Devemos elaborar políticas públicas para pensar preventivamente, e não tentar culpabilizar a internet ou jogos eletrônicos. A culpada é a sociedade. Precisamos discutir como queremos melhorá-la, e isso passa por medidas preventivas, e não escolas militarizadas."

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