Deu no Outra Saúde
REFLEXOS DO ROMPIMENTO
Depois de uma expedição que recolheu amostras ao longo de 305 quilômetros do rio Paraopeba, invadido por 14 toneladas de rejeitos da Vale, a Fundação SOS Mata Atlântica divulgou ontem um relatório mostrando resultados surpreendentes. "Nos primeiros trechos onde fizemos coleta de água, o rio estava tão morto, tão degradado, que nem bactérias sobreviveram. Isso não aconteceu nem no rio Doce", afirmou à Deutsche Welle Malu Ribeiro, especialista em Recursos Hídricos da fundação. Em outros trechos até havia bactérias... nocivas aos humanos, arrastadas pelo varrimento de zonas com fossas e criações de animais.
O Paraopeba perdeu sua condição de importante manancial de abastecimento público. O nível de cobre chega a 600 vezes o nível máximo permitido em rios usados para abastecimento humano, irrigação em produção de alimento, pesca e atividades de lazer. Também foram encontrados metais como ferro e manganês em níveis altos. Já os níveis de oxigênio e turbidez não revelam condições de vida aquática. Ainda segundo o relatório, 112 hectares de florestas – sendo 55 em áreas bem preservadas – foram devastados pelo arraste dos rejeitos.
Na Agência Brasil, Malu Ribeiro alerta para o já anunciado risco que o Rio São Francisco corre. "Uma coisa importante é que, agora mais do que nunca, a revitalização do São Francisco precisa sair do papel. E a revitalização do São Francisco agora passa pela recuperação do Paraopeba. O Paraopeba é o que forma o São Francisco. Se ele chegar doente no reservatório de Três Marias é como se tivesse um conta-gotas de veneno sendo despejado no rio São Francisco todo dia"
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