Deu no Outra Saúde
A PRÓXIMA TRAGÉDIA
A população que vive no entorno das outras mais de 800 barragens de rejeitos Brasil afora está apavorada, e com razão. Mesmo quando a barragem não é considerada de alto risco – afinal, a do Córrego do Feijão também não era. No El País, a reportagem de Joana Oliveira fala de algum desses lugares. Como Paracatu, onde fica a maior mina de ouro a céu aberto no mundo. Da canadense Kinross Gold Corporation, ela armazena em uma barragem cerca de 547 milhões de metros cúbicos de rejeitos, simplesmente 42 vezes mais do que a que rompeu em Brumadinho. Os dois bairros mais populosos da cidade estão abaixo dela.
No meio do Pantanal, uma barragem da Vale similar à da Mina do Feijão pode destruir todo o bioma em caso de rompimento. Há ao todo 16 barragens de minério de ferro no Mato Grosso do Sul, todas em Corumbá – e 12 de alto risco. E em Itabira, terra de Drummond e berço da Vale, quatro barragens têm 490 milhões de metros cúbicos de rejeitos. A maior delas, com 220 milhões, passa desde o ano passado por um processo de alteamento dos muros, em 15 metros, para que caibam mais rejeitos.
“Congonhas [do Campo] tem barragem da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) muito maior que as que romperam aqui em Brumadinho. Caso rompa, o rejeito chega em oito segundos a um bairro de mais de 5 mil habitantes no centro urbano do município", afirmou à Rede Brasil Atual o coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Pablo Andrade Dias. E a CSN também pretende aumentá-la.
A cidade tem uma das maiores barragens do mundo em área urbana, com 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos e de Classe 6, o que significa o risco mais alto. Já os moradores de Macacos, distrito de Nova Lima, estão rodeados por nada menos que cinco barragens da Vale. Há uma escola abaixo de uma delas.
O QUE PASSOU
As águas do rio Paraopeba estão, como era de se esperar, contaminadas e apresentando risco à saúde humana e animal. Um comunicado das secretarias de de Saúde, do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Pecuária e Abastecimento apresentou resultados de uma análise que indica níveis de até 21 vezes acima do aceitável de chumbo total e mercúrio total. Também foi constatada a presença de níquel, chumbo, cádmio e zinco.
"Quando acabarem as buscas, vamos ficar aqui sozinhos": na Vice, o cotidiano dos moradores da região do Córrego do Feijão depois do desastre. O número de mortos subiu para 99, e são 259 as pessoas desaparecidas.
A Vale prometeu acabar com barragens como a que se rompeu em Brumadinho. Mas a desativação deve demorar entre um e três anos, e não significa que não vai haver novos acidentes, segundo matéria da BBC. Os outros métodos que serão usados pela empresa podem causar impacto ambiental maior na hora da construção e, se mal projetados, executados e monitorados, podem ser igualmente inseguros.
Hoje o MAB vai divulgar no Facebook o teaser do documentário Renova – o crime é periódico, que fala da saúde física e mental dos moradores da Baía do Rio Doce. O título é uma menção à Fundação Renova, criada pela Samarco para reparar os danos após o rompimento em Mariana.
Aliás, a Renova quer que as prefeituras das cidades atingidas por aquele desastre desistam de processar os envolvidos, agora ou no futuro. Na época, a Samarco prometeu cobrir os gastos emergenciais (cerca de R$ 53 milhões) e depois descontar o valor das indenizações aos municípios. Agora, a Fundação propõe finalmente depositar esse dinheiro, mas em troca da assinatura de um documento em que as prefeituras se comprometam a abandonar qualquer ação em curso e não promover nenhuma outra. A reportagem do Intercept diz que, dos 39 municípios atingidos, 19 já toparam. “Eles chegam falando ‘não mexe com esse negócio de ação não, amanhã o dinheiro tá na conta, a sua cidade nem tanto dano teve…’”, narra Duarte Gonçalves Jr., do PPS, prefeito de Mariana.
- Efetue login ou registre-se para postar comentários





Sobre a promessa da Vale de acabar com as barragens de rejeitos
Essa promessa tem sido alvo de dúvidas e questionamentos.
O número de barragens de rejeitos da Vale em Minas Gerais é muito maior do que a lista que chegou a ser noticiada na imprensa. Aliás, a lista noticiada parece conter apenas barrgens ligadas a minas que a Vale já panejava desativr no estado. Em outras palavras, estaria se aproveitando da tragédia para agilziar decisões centradas em objetivos estratégicos e financeiros da empresa.
O questionamento acima chama para a agenda política e de mídia a abertura de discussão sobre critérios adotados nas escolhas de barragens.
O papel da Renova volta ao debate. A sua criação emute processo que comentário da Professora Rolnik divulgado ontem aqui no fórum chamou de "raposa cuidando do galinheiro." A gestão dos recursos foi deixada sob controle da empresa e sem participação de representantes das vítimas.
Agora, depois do novo desastre finalmente a Renova estaria se abrindo a aceitar a participação de representantes indicados por representantes das comunidades afetadas. O papel da fundação não incluia a defesa juridica e ou política da empresa. Há necessidade de checagens da denuncia apresentada na noticia.
Vale pode lucrar com interrupção de barragens como a de Brumadin
Vale pode lucrar com interrupção de barragens como a de Brumadinho
Reaproveitamento de minérios em rejeitos desperta interesse comercial