Deu no Outra Saúde
TRABALHO (CADA VEZ MAIS) DURO
Os trabalhadores brasileiros estão mais ansiosos, estressados e deprimidos. De janeiro a setembro, o INSS concedeu pouco mais de oito mil licenças para tratamento de transtornos mentais e comportamentais adquiridos no ambiente de trabalho. Trata-se de uma alta de 12% em relação ao ano passado. Quando se olha para 2008, primeiro ano em que há estatísticas disponíveis, esses afastamentos representaram 3,6% do total de auxílios concedidos. Dez anos depois, se a tendência dos três primeiros semestres de 2018 se confirmar, podem ficar na casa dos 5%.
Hoje, os transtornos mentais ocupam o terceiro lugar no ranking do INSS, atrás de lesões e problemas musculares. Mas esses afastamentos são mais demorados (211 dias, quando a média é 183) e têm revelado novas dinâmicas. Ou melhor, estão em sintonia com os novos tempos. A cobrança por WhatsApp é um exemplo de jornada estendida que leva os trabalhadores à quadros de ansiedade. O medo de perder o emprego por conta da crise econômica – e o consequente acúmulo de funções – também. Esse diagnóstico, aliás, ultrapassou a depressão e ocupa desde o ano passado o segundo lugar entre os afastamentos concedidos pelo INSS. Desde 2013, o estresse grave lidera a lista.
(E quando se pensa que esses são os dados do mercado de trabalho formal, se pode especular: e entre trabalhadores informais, que não têm nem direito a afastamento?)
Como no Brasil há uma conexão entre carteira assinada e acesso a planos de saúde, a reportagem da Folha olhou para os números da ANS oferece mais elementos para entender o quadro. Concluiu que houve um aumento de 54% no número de consultas psiquiátricas cobertas pelos planos entre 2012 e 2017: saltaram de 2,9 milhões para 4,5 mi. Na comparação com consultas ambulatoriais, também dá para ter um susto: estas cresceram 10% no período, enquanto as psiquiátricas aumentaram 54%. E as internações psiquiátricas emergenciais (de no máximo 12 horas) seguem a tendência de alta: foram 32 mil em 2012, passaram para 77 mil no ano passado – aumento de 139%, quando a média de todas as internações rápidas foi 49%.
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