MARIANA: TRÊS ANOS DEPOIS
Hoje, o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), completou três anos. O Tempo mostra que a Justiça brasileira deixou tanto a desejar na reparação dos danos que nada menos do que 200 mil pessoas resolveram processar uma das controladoras da Samarco, a BHP Billiton, nas cortes da Inglaterra e do País de Gales numa ação de 5 bilhões de libras (R$ 24 bi).
O mar de lama, que chegou até Regência, no litoral Espírito Santo, deixou 19 mortos, muitos feridos e centenas de milhares de atingidos no caminho, cortando o abastecimento de água de cidades como Governador Valadares (MG) e Colatina (ES) e tirando o sustento de muita gente que vivia da pesca e do turismo na extensa região. Mas nem em relação às mortes houve consequências.
Estudo contratado pelas próprias empresas Samarco/Vale/BHP mostra que havia defeitos na construção na barragem – e mesmo assim, os executivos da mineradora resolveram seguir adiante e ampliar o reservatório de quase 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério. Em 9 de outubro, o executivo André Cardoso teve a denúncia revertida pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A acusação do Ministério Público era a de inundação seguida de morte, que poderia chegar a 30 anos de reclusão. Os desembargadores só aceitaram o crime de inundação, que não passa de oito anos de cadeia. O MPF recorre da decisão, que pode valer para os demais 21 acusados de homicídio.
Nenhuma das casas das comunidades mais afetadas – Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira – sequer foram construídas até hoje. As obras acontecem em locais próximos ao original. Os atingidos ainda moram de aluguel pago pela empresa no centro da cidade. E vão ficar nessa situação bastante tempo: no caso de Bento, a previsão é que a obra seja entregue só no fim de 2020.
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