Depois da tragédia
Uma matéria da Vice fala sobre os problemas na saúde mental de quem foi vítima do acidente da Samarco em Mariana, três anos atrás. Entre os jovens, 80% têm estresse pós-traumático e 39,1% possuem rastreio positivo para depressão. Os dados são da Pesquisa sobre a Saúde Mental das Famílias Atingidas pelo Rompimento da Barragem do Fundão em Mariana. Acione o link para acesso ao texto completo
Estresse pós-traumático atinge 80% dos jovens vítimas do desastre de Mariana
Pesquisa aponta que as consequências na saúde mental dos mais novos são preocupantes.
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"Primeiro eles ouviram um barulho muito grande, e quando perguntamos para eles o que eles acharam que era, a maioria achava que era a barragem". Essa é uma das principais lembranças de crianças, adolescentes e jovens ao contar o fatídico dia em que a barragem do Fundão rompeu, no município histórico de Mariana, Minas Gerais, em 5 de novembro de 2015. O acidente é considerado como o maior desastre ambiental do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
Quem descreve o relato das vítimas é a médica psiquiatra, pesquisadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Maila de Castro, que faz parte do Núcleo de Pesquisa Vulnerabilidades e Saúde (NAVeS - UFMG) e que esteve a campo para produzir a Pesquisa sobre a Saúde Mental das Famílias Atingidas pelo Rompimento da Barragem do Fundão em Mariana.
Realizado em 2017, o estudo ouviu 276 vítimas individualmente, incluindo crianças e adolescentes e foi idealizado logo após o acidente, despertando o interesse dos pesquisadores da faculdade de Medicina da UFMG em saber como estava a saúde mental da população de Mariana. "As vítimas dessa catástrofe são populações extremamente vulneráveis a desenvolver algum problema em relação a saúde mental", conta Maila. Os dados foram divulgados em abril deste ano.
Do total de vítimas entrevistadas, 42% são crianças e adolescentes. Entre eles, 91,7% testemunharam o desastre e 8,7% receberam notícias traumáticas decorrentes do acidente. O grupo de estudos diagnosticou que 82,9% dos entrevistados deste núcleo foram rastreados positivamente para o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). "Não significa que todos que foram rastreados positivamente tem doença, mas tem sinais e esses sinais já podem impactar na qualidade de vida", explica a professora.
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