O cibernético e o humano no trabalho. Correr na frente do computador é complicado, mas é preciso aprender a correr com ele. Entrevista especial com Cesar Alexandre de Souza
Destaco:
IHU On-Line – Sim, serão substituídas, terão salários menores e menos pessoas terão empregos.
Então, a mensagem é: infelizmente, não poderemos ficar parados. Sempre houve o aprendizado contínuo, mas agora isso veio para valer
Cesar Alexandre de Souza — No caso do telemarketing, em que as pessoas seguem roteiros, esse trabalho já está sumindo, porque hoje o robô liga para a sua casa. Você já recebeu aquela ligação em que o robô te pergunta: Você é o Cesar? Então, uma parte do trabalho está desaparecendo. Isso é precarização ou não? Hoje os trabalhadores de telemarketing são comparados a operários do início da Revolução Industrial, porque esse é um trabalho cheio de estresse. Mas está sobrando uma parte de trabalhadores nesse setor, os quais terão que ter mais experiência para reconhecer padrões e terão que ter mais poder de persuasão para resolver problemas e lidar com os clientes. Então, embora num primeiro nível o atendimento possa ser feito por máquinas, quando chega no momento da persuasão, num nível de entendimento humano, de empatia para entender o que o outro está pensando ou como está reagindo para poder negociar, o computador não consegue agir, ou seja, ele não atingiu ainda — e não sei se um dia vai atingir — esse estágio para tratar desse tipo de situação.
Então, se você acha que vai ter emprego para aqueles que conseguem atender o telefone, entender o que a pessoa fala e responder o que está num roteiro, de fato esse emprego não existe mais. Ou seja, será preciso uma habilidade superior para ter emprego e isso significará um passo além de simplesmente ter experiência em uma profissão e poder reconhecer padrões e poder atuar. Esse problema é que é incômodo, porque muitas pessoas demoraram para ter experiência e reconhecer padrões e se espera que o computador possa aprender isso de forma rápida. Então, a mensagem aqui é: infelizmente, não poderemos ficar parados. Sempre houve o aprendizado contínuo, mas agora isso veio para valer. Teremos que ser muito mais especialistas em nossas áreas de conhecimento e atuação, ou seja, temos que ir muito além do reconhecimento do padrão do computador.
Teremos que estar investindo sempre em coisas que são essencialmente humanas, como empatia, habilidades, criatividade, pensar de uma maneira diferente e resolver problemas de uma forma que não foi feita antes
Você vai precisar ser especialista na sua área, mas também vai ter que conseguir conectar o que você faz com uma outra visão geral, ou seja, pensar criativamente; isso será uma necessidade. Então teremos que estar investindo sempre em coisas que são essencialmente humanas, como empatia, habilidades, porque o que diferencia pessoas de computadores é a empatia para lidar com o ser humano, é a criatividade, é pensar de uma maneira diferente e resolver problemas de uma forma que não foi feita antes. O computador não faz isso, porque ele age a partir do reconhecimento de padrões, ou seja, de coisas que já aconteceram. O ser humano consegue pensar uma coisa que nunca aconteceu, ele pode trabalhar no terreno das hipóteses a partir de tudo que ele conhece.
- Efetue login ou registre-se para postar comentários




